
Na senda dos apressadinhos da imprensa, que vivem de matérias e especiais sobre sucessos e tragédias, efemérides e conquistas inéditas, uma eliminação de virada é prato cheio para anos e anos a fio.
Nesta Copa, favoritos tombaram cedo: Itália e Inglaterra...não conto com França pq essa nem na Copa de fato... vexame total. O Brasil veio com uma seleção bastante criticada por suas ausências, como em diversas ocasiões veio. Aos trancos e barrancos venceu o grupo da Morte, o G. Escapou da chave cruel que envolvia Espanha, Alemanha e Argentina (estas duas que se enfrentam vão fazer uma espécie de final antecipada, pois até então foram as melhores em campo), mas todos sabiam que uma Holanda havia no caminho. Eficiente, 100%...enjoada e catimbeira, veloz e inspirada.
Aos países sulamericanos, o devido respeito quem sempre mereceram, mas os números negavam. Nas quatro quartas de final, um em cada jogo.Pois o sempre favorito foi mais cedo. Aí, em outros veículos, saindo da imprensa mas nunca dela isentos, torcedores revoltados apontam os mais improváveis culpados: Mick Jagger, o homem seca-capim; o infame e grosseiro, teimoso, bravo, guerreiro e eterno capitão do Tetra como técnico, pelas escolhas erradas; o tal de Felipe Melo, o escolhido da vez pelos milhões de galvões buenos (no diminutivo mesmo,dada a quantidade de besteira dita hoje) que demoram a entender que o jogo é coletivo, e a derrota é igualmente uma possibilidade em relação a uma emocionante vitória; culpam os craques, culpam os pernas-de-pau...caçam alvos que serão marcados e massacrados sem a menor chance de retratação. Como Roberto Carlos, destaque em 2002, culpado em 2006? Nem tanto, nem menos. Um a mais, em 11. E muitos esquecem dos valores do "inimigo", pq em jogo de Copa é uma guerra representativa.
Numa encruzilhada,acusaram Robinho de nervosismo, de sumiço. O pus aqui no post porque discordo mesmo do (que considero ) bom comentarista Junior e do (que considero) doidim Casagrande. Discordo pois foi um dos jogos mais bem executados pelo jogador, que não se escusou, não se omitiu...batalhou, sofreu, vibrou com um gol, se frustrou com um outro bem anulado...viveu o intenso jogo. O incluiram num grupo dos que sumiu no segundo tempo. Historicamente imprensa e torcedores elegem aquele que se omitiu: Cristiano Ronaldo, Henry, Kaká, Rooney (o inglês e sua versão asiática), como Ronaldinho Gaúcho, como Zico, como até Pelé em outras copas... como Maradona, que agora tenta a sorte fora de campo, mas sempre presente na mente de seus jogadores.
A Holanda venceu, e o fez pois aproveitou melhor quando o jogo esteve em seu favor. Sem Dunga ou com Dunga, sem seus craques ou com eles. Eram outros 11, outros sentimentos. Na derrota, muito se esquece do outro, a alteridade passa longe, mesmo sendo tão real. Outros 7 times continuam na disputa. Que sobrevivam os hermanos, os celestes, os guaranis...que lutem os laranjas, que lutem os africanos com sua gana, com os espanhóis em fúria, ou os alemães em sua renovada disposição.
Para os sulamericanos, a copa continua. No diminutivo e no aumentativo. As repartições vão voltar ao normal, aos recem-concursados a luta pelos exames continua (como meu caso), aos amantes do futebol... ainda vale a pena torcer.
E aos brasileiros, 2014 é daqui a mais quatro. Nada tão óbvio, nada tão trivial, nada tão perto...Allez sudaméricains!!! Go southamericans! Vamos! A Copa ainda é nossa.
