Os escritores que aceleram neste blog

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acompanho a F1 desde 1994. por vezes o estranhamento choca e traz interesse. gosto de história desde 2002. bons professores trazem a tona paixões que pareciam subexistir. sou Ridson de Araújo, tenho 21 anos, faço História na Universidade Federal do Ceará.

A Redação

Este blog foi criado no intuito de divulgar, publicizar opiniões caladas e pesquisas que em geral não tem o devido espaço que (acreditamos) merecem. A iniciativa foi de Ridson de Araújo, e agora contará com colaboradores. Cada pessoa que se encontra aqui na redação tem o potencial como várias outras pessoas que tem/não tem internet, de pensar e agir. Duas paixões e duas escolhas: História(s) e Velocidade.

O blog, na verdade: é de todos.

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domingo, 26 de julho de 2009

Punição e não-punição

Punido
Merecidamente, a Renaut foi punida, com a suspenção de uma corrida, o próximo GP em Valência, na Espanha, que atende pelo nome de GP da Europa.
A roda se soltou após uma péssima troca de pneus, ao não apertar corretamente a roda, causando a saída da calota, e consequentemente da própria roda em instantes. E isso em corrida, com Alonso se arrastando para os boxes, tentar trocar e fazer um milagre, voltar com uma volta de atraso e por fim, ser recolhido e ter sua corrida que muito prometia, estragada pelo erro da equipe.
A punição se deve muito pela imprudência, em momentos de crise na segurança das categorias máximas do automobilismo, com os acidentes da F-Indy, a morte de Henry Surtees no domingo passado, dia 19, e do grave acidente de Felipe Massa ontem. Aliás, a morte de Surtees aconteceu porque justamente uma roda que saiu do carro de Clarke e atingiu a cabeça do britânico de 18 anos apenas.
Além disso, a equipe Renault deveria ter impedido Alonso de sair dos pits. já que era evidente que a roda havia sido mal-colocada.
Não acho que a punição deveria ser somente para Alonso, pois o piloto, mesmo tendo sido imprudente ao sair, tentou fazer o máximo possível para se manter na corrida, o que acredito ser muito justo, ainda mais pelas chances que tinha.
O curioso, se é que há curiosidade nisso, é que daqui a 4 semanas só teremos 1 piloto brasileiro na pista, que é Rubens Barrichello. Não se sabia antes se Piquet correria em Valência...e ainda não é certo, já que a Renault, dia 23 de agosto, recorre da decisão. O outro seria justamente Felipe Massa, mas este infelizmente não estará pronto para correr à tempo, já que nem se sabe se vai correr ainda nesta temporada (torcemos, entretanto, que o piloto se recupere logo e corra assim que estiver em condições seguras).
Correr com apenas um piloto brasileiro é algo que a F1 há muito tempo, desde os anos 70, não acontecia.
Não-Punido
Kimi Raikkonen não foi punido pelos diversos choques que causou na largada, alguns até grosseiros. Nesta temporada, por sinal, Raikkonen foi diversas vezes protagonista de choques em 1ª volta, fato que já recebeu piadas mundo afora, fazendo sarro com sua fama de beberrão.
Merecia? Cremos que sim, já que acidentes similares causaram punições. A FIA não tem critérios claros e objetivos para essas punições, e certamente o peso político da Ferrari e um medo certo de haver confusões com a scuderia neste momento de impasse e possível acordo entre a FIA, a FOTA capitaneada pela Ferrari e a FOM agiram nesta não-punição. Eu pessoamente acho que toques são parte da corrida, e até mostra de arrojo e combatividade dos pilotos, mas não feitos de forma desleal ou grosseira, como a que foi feita pelo vencedor da Alemanha, Webber.
Não acho que Kimi tenha sido desleal, mas sem dúvida foi muito imprudente e irresponsável, podendo ter acabado com sua corrida e causando o abandono de Vettel.
Um exemplo de corrida saudável foi feita por Villeneuve e Arnoux, que lado a lado se tocaram e protagonizaram a mais emocionante disputa de posições do século XX, mas com toda a esportividade necessária e sem deslealdade.
Amanhã ou terça posto algo sobre "bolhas de proteção estilo aviões-caça" para os carros de F1. Acredito ser algo instigante para debater... e aí, o que acharam da punição à Renault e a não-punição ao Kimi? Comentem!

segunda-feira, 20 de julho de 2009

Realmente triste- Henry Surtees

Uns poderiam dizer que foi culpa da roda. Outros poderiam dizer que o culpado é quem prende, quem pensa e quem projeta carros em que rodas saem quicando e voando em alta velocidade. Uns diriam que foi apenas acaso, e outros acreditam no destino.
Eu acredito em energias, pensamento nada mais funcional para unir Ciência e fé, seja lá qual religião seja (ou não sendo).
Ontem, Henry Surtees faleceu em um acidente muito, muito possível, e muito, muito difícil de culpar a alguém (ou a algo).
Jack Clarke perdeu o controle de seu carro, bateu em uma mureta, sem maiores gravidades para ele, Clarke. Não teve culpa, isso acontece em um esporte a motor, perder o controle de um carro, em geral pela falta de aderência. A roda de Clarke bate na mureta junto com o carro, e ela e o aerofólio traseiro vão voltando para a pista. O aerofólio felizmente pára, mas a roda sai quicando (muitos carros passam por ela), e atinge de cheio o capacete do piloto. Os físicos e engenheiros de plantão podem somar a quantidade de energia exercida na cabeça do piloto, em seu pescoço e nas áreas próximas. É fatal. Uma roda daquelas pesada, em alta velocidade, somada à velocidade de um carro de F2, subindo uma reta em alta velocidade, acelerando, é muito agravante.
Por ironia pura poderia dizer que foi "sorte" não ter sido atingido por uma barra de ferro, como foi Senna, que com certeza acarretaria estragos ainda maiores ao jovem piloto de 18 anos. Contudo, não há sorte nem glória na morte, não há nenhum aspecto bom.
A categoria recém-recriada sofre uma perda que vai para muito além da ausência de Surtees, filho de uma lenda do Esporte a Motor, campeão mundial de moto e de F1,que sobrevivera em uma época em que mortes de pilotos eram comuns e estupidamente banais, parte do esporte.
A F2 corre em circuitos ruins, como se pode ver nas imagens. Circuitos quase abandonados, vazios, sem perspectivas grandes de público, mas muitas de uma janela para a F1 e para a GP2, categoria com a qual rivaliza diretamente. Cria de Mosley e da FIA, administrada por Jonathan Palmer (que tem um filho correndo nessa mesma categoria), que possui o filho de Martin Brundle. Todos, com 18 anos, com muitas perspectivas. Se é triste para a categoria, avalie para o pai, para a família, para os colegas e amigos.
Esporte a Motor é realmente perigoso. Sempre tem uma pedra no meio do caminho.