Hanna Arendt, uma grande filósofa do século XX, ao analisar a emergência dos regimes totalitários na Europa (não pq fossem necessários, mas pq as coisas realmente se desenrolavam para acontecer assim), entende que durante o período da expansão do Imperialismo* (ou chamado de Neocolonialismo), nas metrópoles imperiais, foi surgindo uma população pobre que se apropriava dos valores capitalistas (e tamém a propaganda capitalista era voltada para ela), foi se aburguesando, mas almejava chegar ao poder (fosse político, fosse econômico). Arendt dá o nome de ralé a essas classes sociais. Uns na força de suas palavras e ações, foram ascendendo politicamente, e pela firmeza que se expressaram, tomaram suas truculências como firmeza. Em geral com fortes alianças militares, ou criando seus próprios grupos paramilitares. Franco na Espanha pós-guerra Civil; Salazar em Portugal; e os mais conhecidos, Hitler e Mussolini. O mais influente talvez fosse Mussolini, e suas medidas econômicas e doutrinárias se espalharam pela Europa e reberveravam nos países ditatoriais da América Central e do Sul. Vargas, por exemplo, no Brasil. É claro, cada particularidade à cada caso, cada historicidade com suas dinâmicas.
Contudo ninguém foi mais marcante do que Hitler. Onde truculência e loucura ficam lado a lado com ardilosa força da palavra e capacidade de reunir diante de si pessoas bastante influentes e articuladas, coisa boa não dá. E não deu. A política de limpeza étnica, aliada a uma rígida hierarquia militar, forjaram uma imagem endemonizada de Hitler, que para mim não é modelo para análise, e nem muito para modelo de postura política. Hitler era desprezível, assim como todos esses líderes ditatoriais, e todos aqueles que compactuavam com suas idéias e se favoreciam delas. Sim, porque nunca uma ditatura se apóia pela força tão-somente. Somos nós que erramos ao atribuir grands feitos (bons ou ruins) a poucos homens, e nos esquecemos de que são feitos por muitass pessoas, que os apoiam, ideologicamente, politicamente e financeiramente. Hitler, Mussolini e Franco se aliaram à burguesia financeira para ascenderem socialmente. Ainda sim, fazer qualquer apologia a qualquer um deles é suicídio. Ter sua imagem associada a qualquer truculência é suicídio, imagine a imagens como essas.
Ecclestone cometeu esse suicídio. Os bloggers do Grande Prêmio,
Victor Martins e
Flávio Gomes, fizeram duras críticas a Ecclestone, cada um trazendo um elemento interessante. Nossa hipócrita postura política, detonada por esses dois bloggers, e o fato de Ecclestone ter agido muitas vezes como esses totalitaristas, eliminando adversários e se apoiando em tantos outros. Vou pesquisar e acho que dentro de alguns dias, trago aqui um pouco da trajetória de Bernie. E faço o convite a todos que lerem este texto a fazerem o mesmo. Vamos debater e analisar o quanto Ecclestone não é apenas fruto de sua habilidade política-financeira, ou de sua truculência. Vejamos quantos os apoiaram. Quantos nos blogs e sites de jornalismo elogiaram Ecclestone por suas posturas, e quantos acompanharam sua ascenção dentro da categoria.
Se Hitler e Ecclestone tem em comum uma série de posturas, tem também em comum grandes feitos (nada elogiáveis, mas sim, grandes feitos) e principalmente, o apoio de muita gente que tinha/tem posturas semelhantes e sobretudo, desejos de ascenção social por quaisquer veículos que sejam. Minha crítica não é somente a estes dois sujeitos históricos, mas também à hipocrisia de atribuir grandes males a grandes malfeitores, absolvendo todos os outros. Minha crítica é mais ferrenha, talvez. Mas não absolve ninguém.
* período compreendido entre mais ou menos a década de 1870 à 1910, sendo que estas colônias, que se localizavam na Ásia e África, essencialmente, foram sendo independizadas ao longo do período entre guerras e principalmente no pós-guerra, gerando inúmeros conflitos internacionais, fossem apenas diplomáticos ou fossem conflitos armados.