Os escritores que aceleram neste blog

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acompanho a F1 desde 1994. por vezes o estranhamento choca e traz interesse. gosto de história desde 2002. bons professores trazem a tona paixões que pareciam subexistir. sou Ridson de Araújo, tenho 21 anos, faço História na Universidade Federal do Ceará.

A Redação

Este blog foi criado no intuito de divulgar, publicizar opiniões caladas e pesquisas que em geral não tem o devido espaço que (acreditamos) merecem. A iniciativa foi de Ridson de Araújo, e agora contará com colaboradores. Cada pessoa que se encontra aqui na redação tem o potencial como várias outras pessoas que tem/não tem internet, de pensar e agir. Duas paixões e duas escolhas: História(s) e Velocidade.

O blog, na verdade: é de todos.

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segunda-feira, 5 de outubro de 2009

Probabilidades, possibilidades e esperanças- História e mercado de pilotos

A História se revolve com essas três premissas: Probabilidades, possibilidades e esperanças. Isso mostra o quão difícil é construir um texto historiográfico; as fontes nos direcionam para diversos caminhos e nos dão uma gama limitada de posibilidades de reflexão e afirmação de certos fatos. Tanto que se torna particularmente difícil de dizer se o historiador consegue dar conta da "realidade"ou não...particularmente fico com a interpretação de certos relativistas, que escapam da armadilha do total-relativismo na História ao afirmarem que o historiador constrói suas narrativas através do exercício da pesquisa, mas sempre com a premissa de que vai encontrar traços de realidade nos quais vai constituir sua teia de reflexões...um historiador-aranha que perce a importância do enredo das coisas...
Tá...os muitos não-historiadores que acompanham o blog que conseguiram sobreviver a essa primeira idéia provavelmente não devem ter feito todas essas conexões com o mercado de pilotos para o próximo ano. Explico: assim como na disciplina histórica, como nas Histórias que compõem o arcabouço de histórias e enredos do Esporte a motor, muito se pode fazer relação quando se observa as expectativas dos mercados de pilotos. Todo ano é uma novela, que pode se desenrolar em várias tramas e teias, e o que nós amantes da F1 e do esporte a motor fazemos, junto aos blogueiros e jornalistas (há sujeitos que são as três coisas...hehe), é tentar elucidar , no conjunto de pistas que recolhemos, traçar como se desenrolaram/ desenrolam/desenrolarão essas histórias, esses enredos. A prática muitas vezes questiona a lógica da teoria. E isso que é legal. Muitos não sabem que os historiadores se deparam com as mesmas angústias e dúvidas. E com a mesma paixão. Entre os dois mundos, vivo na expectativa pelo mercado de pilotos para o ano que vem.
Probabilidades
As coisas dadas como certas, são as que mais nos surpreendem. Mas são as que menos nos deixam surpreender. Delas nos baseamos pela lógica da teoria, do que deve acontecer. mas só se sustentam pela enorme quantidade de fontes... sejam elas tendenciosas ou não. Cabe a quem tenta averiguar isso, historiador ou não, de questionar as fontes perguntas que elas tenham condições de responder e comparar as fontes. Nunca, contudo, perder de vista que muitas coisas só se pode saber por só uma fonte... sem cair no dogmatismo religioso.
Exemplo de História:
O holocausto, ou todas as grandes verdades ditas como incontestes. Sabemos que houve guerras, assim como sabemos que houve conflitos de interesse, assim como sabemos mais ou menos com propriedade os interesses e as vantagens. Sabemos onde isso deu, onde isso se desenrolou. A grande questão a se fazer é: como se desenrolou? Qual a atuação dos sujeitos? O que se pode dizer como certeza?
No campo das probabilidades, arrisca-se a certeza. Não vejo porque duvidar se houve holocausto ou se houve um massacre nojento de judeus, inimigos políticos e minorias étnicas. É possível, entretanto, tecer com exatidão as tramas e os enredos disso tudo, ou temos que confiar no olhar crítico de quem as tece e desenrola?
-Exemplo da expectativa para o mercado de pilotos:

É o caso de Kubica na Renault, como foi o caso de Alonso e está também sendo o de Hulkenberg, na Williams. Muito se diz, muito se espera. Em breve todas se aferem como certas e incontestáveis... Alonso na Ferrari foi exemplo disso agora como Senna na Williams em 1994. Muitos apontam os motivos e esquecem / minimizam os contra-motivos; poucos se questionam como se dão/ deram as condições dos termos, os bastidores, e em que condições cada piloto chegará na próxima temporada.
Kubica na Renault? Primeiro piloto e propaganda? Como estará a Renualt. Qual será a força de Kubica em comparação a um segundo piloto?
Hulkenberg na Williams? Como será a atuação? Aprendiz e propaganda? Atrativo de patrocínios? Será favorecido pela equipe ou terá que segurar a onda do bonde do piloto experiente que virá, possivelmente como primeiro piloto para 2010. Isso continuará em 2011?
Possibilidades
Nunca é fácil dizer o que vai acontecer até se concretizar. E isso se dá quando se observa o presente. Como não é fácil entender assim o passado, pq se tem uma idéia de algumas coisas que aconteceram, e nos norteiam, mas não se dá para saber em sua concretude o que não aconteceu, ou o que deveria ter, em teoria, acontecido.
Exemplo de História:
- Quando se investiga a ação de operários e operárias no contexto das greves fabris que marcaram o início do séc XX e que já aconteciam no século XIX, muito se espera que as mulheres defendam seus direitos e que os homens lutem contra isso, assegurando os seus. Pois bem... há casos conhecidos de mulheres que saem nas ruas em defesa do resguardo da mulher em casa, cuidando da família e dos filhos, sendo subserviente pois é seu papel social... e há homens que vão às ruas defendendo direitos iguais dos indivíduos, e também os das mulheres...há os que as defendem, mas descartam a possiblidade delas de lutarem pelos próprios direitos, deixando na mão deles lutar por elas; como há os que as conclamam para a luta e vão lá junto a elas.
Isso só mostra a diversidade de enredos e tramas que compõem os acontecimentos, e que o historiador tem de "se ligar" neles e através da pesquisa desenrolar sua escrita, seu olhar, sua reflexão. Sempre tendo a pesquisa como algo para lhe dizer o que dá para dizer, e o que é forçoso demais.
-Exemplo da expectativa para o mercado de pilotos:
É o caso de Rubens Barrichello na Williams, ou o de Kimi Raikkonen na Maclaren Mercedes. Ambas as situações revelam muito do que se espera deles e o que eles esperam próximo ano.
Rubens é o cara experiente, que trabalha muito junto aos engenheiros e mecânicos, para desenvolver ao máximo as habilidades do carro, que a Williams quer. Além disso, é o piloto com a velocidade e habilidade necessária para reerguer a Williams. Não é um engenheiro, não é um mecãnico, ou seja, não atua na produção do carro ou coisa assim (ainda vou escrever nessa semana sobre a atuação de um piloto nesse processo de melhoria do carro), mas é o cara que na atuação nos treinos e corrida que traz o máximo de informações que só podem ser obtidas para a equipe pelo piloto. É o ajuste fino para a corrida.
Assim, Rubens na Williams é uma possibilidade grande, mas ainda no campo da possibilidade. Por duas razões: uma, que não tem a melhor imagem frente ao pensamento de Frank Williams de como deve se portar como um piloto de F1, no que diz respeito às suas declarações públicas do que se passa na equipe. Isso nenhum dono de equipe gosta muito, mas Williams é mais sensível do que os demais; o segundo se chama Heidfeld. O alemão tem mais o menos as mesmas características, e está sobrando. Só que é mais jovem (não mais determinado e empolgado), embora com um pouco menos de talento.
É assim também com Kimi na Maclaren. Kimi fez sua melhor passagem na categoria em Woking. Saiu de lá, entretanto, para realizar um sonho.Kimi tem a velocidade necessária, tem o talento necessário para a equipe e quer um carro competitivo, como o que a equipe quer.
O que deixaria Kimi no campo das possbilidades e não probabilidades? Duas coisas:
- Hamilton quer o status de primeiro piloto. Ter Kimi é um empecilho à là Alonso, e embora Kimi não seja de criar caso disso, seria um desafio totalmente diferente de Alonso, e igualmente duro. Não sabemos o real poder de Hamilton frente à tendência histórica da equipe de dois pilotos fortes... e é aí que a lógica da teoria pode cair por terra na realidade prática.
- Kimi já passou por lá e não deixou muitas saudades quando saiu. 2006 não foi um ano bom, e Kimi saiu com farpas. Embora o clima frio da equipe seja o melhor estilo para Kimi atuar, e Kimi tenha construído um nome por lá, será difícil superar o ranço criado na saída para a Ferrari.
Esperanças
É onde jaz a força renovadora. Seja da F1 ou da História. A capacidade de mudanças... o efeito catalítico delas. Fazer parte como protagonista ou estar alheio como um personagem secundário e sem rosto?
História:
Quando se pensa em esperança, inevitavel se pensar em futuro. O Historiador não consegue chegar no futuro...a não ser no futuro do pretérito. Reescrever a trama do passado questionando os fatos. Questionando o já dito. É por isso que se pesquisa em História. Ter em mente a renovação da coisa. Novos elementos para a reflexão, novas abordagens dos elementos com novas fontes. É isso que permite ao historiador esperança: de mudar a compreeensão presente e futura através da reescrita do passado.
Só com isso se pôde desmistificar o dogmatismo do nacionalismo, se pôde questionar e dar voz aos elemetos ditos alheios da História, os marginalizados. Só com isso, também, se pode reescrever as Histórias das elites e também desmistificá-las, tirando-as do pedestal e da pura e simples fogueira.
Mercado de pilotos:
A silly season vai ficando mais smart (esperta).
Muitas esperanças vão surgindo. Mudar finalmente para uma equipe grande (Sutil); ingressar na F1 (vários novatos, entre eles os dois novos pilotos brasileiros, como Di Grassi na Renault e Campos e Bruno Senna na Campos e Force India).
Posso aqui tentar desenrolar os dos dois brasileiros e de três estrangeiros:
Di Grassi é o terceiro piloto da Renault. Isso faz com que ele seja uma opção de fato para a equipe, que não está nada satisfeita com Grosjean. Grosjean tem filiação francesa no mundo do automobilismo, mas o mercado por lá não está tão assim, digamos, atento a isso, e o daqui ficaria levemente mais animado com um piloto brasileiro. Di Grassi vem crescendo em popularidade, chegando agora aos olhos do teleespectador menos fanático brasileiro. Defende muito bem posições e ataca bem. Pilotou muito no ano passado e neste ano também, mesmo sofrendo com os equipamentos.
Di Grassi, entretanto, mesmo sendo mais piloto que Grosjean, não tem grandes patrocínios. Não foi campeão da GP2. A Campos precisa de um piloto pagante, e a Renault não está nada bem financeiramente com a perda de grandes patrocinadores. Aí, a opção da Indy fica mais límpida do que nunca.
Bruno Senna tem patrocínio, tem talento, mas lhe faltam resultados expresssivos e títulos. A Force India anda de olho nele, a Campos também, mas o peso do nome famoso junto com a pressão decorrente midiática e o fato dele não ter pilotado em monopostos-fórmula o fez ficar meio que para trás na corrida. Uma escolha bem errática a dele de não ter permanecido na GP2 este ano, que foi excepcionalmente interessante, disputada e atrativa aos olhos da mídia.
Adam Caroll anda esquecido da mídia, mas mostrou muito talento nos monopostos em Superleague e A1Gp. Andou conversando com Campos, Manor e USF1. Tem certos patrocínios...
Mas estando tão longe da mídia..é pq acertou no escuro ou no escuro ficará desajustado.
Vitaly Petrov, vice da GP2, foi muito especulado. Tem muitos, mas muitos patrocínios. Falta-lhe constância, pois só é rápido. Isso pegou mal nos ares da Force India e USF1, que mesmo precisando de muita grana fizeram de despreocupados com isso. Não é todo o dinheiro da Rússia petroleira que vai dá-lo um lugar ano que vem. Pode ser , sem dúvida, o mercado promocional russo que dará.
Na contramão (ou não) da política econômica bernieocrática (ou capitalista ), esses cinco são esperanças a serem postas em xeque pelo liquidificador cruel da escolha para o ano que vem. Seriam forças renovadoras como Hulkenberg, Vettel e Rosberg?

segunda-feira, 6 de julho de 2009

O Maior Piloto de Todos os Tempos?

Saiu uma suposta declaração de Jenson Button na qual ele teria dito: “Sou o maior piloto da história”. Se realmente ele chegou a falar isso, acredito que se trate de uma brincadeira ou uma maneira que ele escolheu para demonstrar a todos, confiança em si, prevendo uma briga mais dura com a Red Bull pelo campeonato. Depois ele pode vir a público e dizer que foi mal interpretado! É o quê geralmente acontece nesses casos mais polêmicos. A mídia adora isso, principalmente os ingleses.

Acho utópico afirmar quem seria esse piloto, pois a maioria correu em épocas distintas com regulamentos e carros totalmente diferentes. Uns tiveram bons carros, outros nem tanto. Uns correram por mais tempo, outros morreram. São várias questões e critérios para se levar em conta. Mas, todos têm o livre-arbítrio.

Fique a vontade!

domingo, 5 de julho de 2009

Ecclestone, a ralé e o totalitarismo

Hanna Arendt, uma grande filósofa do século XX, ao analisar a emergência dos regimes totalitários na Europa (não pq fossem necessários, mas pq as coisas realmente se desenrolavam para acontecer assim), entende que durante o período da expansão do Imperialismo* (ou chamado de Neocolonialismo), nas metrópoles imperiais, foi surgindo uma população pobre que se apropriava dos valores capitalistas (e tamém a propaganda capitalista era voltada para ela), foi se aburguesando, mas almejava chegar ao poder (fosse político, fosse econômico). Arendt dá o nome de ralé a essas classes sociais. Uns na força de suas palavras e ações, foram ascendendo politicamente, e pela firmeza que se expressaram, tomaram suas truculências como firmeza. Em geral com fortes alianças militares, ou criando seus próprios grupos paramilitares. Franco na Espanha pós-guerra Civil; Salazar em Portugal; e os mais conhecidos, Hitler e Mussolini. O mais influente talvez fosse Mussolini, e suas medidas econômicas e doutrinárias se espalharam pela Europa e reberveravam nos países ditatoriais da América Central e do Sul. Vargas, por exemplo, no Brasil. É claro, cada particularidade à cada caso, cada historicidade com suas dinâmicas.
Contudo ninguém foi mais marcante do que Hitler. Onde truculência e loucura ficam lado a lado com ardilosa força da palavra e capacidade de reunir diante de si pessoas bastante influentes e articuladas, coisa boa não dá. E não deu. A política de limpeza étnica, aliada a uma rígida hierarquia militar, forjaram uma imagem endemonizada de Hitler, que para mim não é modelo para análise, e nem muito para modelo de postura política. Hitler era desprezível, assim como todos esses líderes ditatoriais, e todos aqueles que compactuavam com suas idéias e se favoreciam delas. Sim, porque nunca uma ditatura se apóia pela força tão-somente. Somos nós que erramos ao atribuir grands feitos (bons ou ruins) a poucos homens, e nos esquecemos de que são feitos por muitass pessoas, que os apoiam, ideologicamente, politicamente e financeiramente. Hitler, Mussolini e Franco se aliaram à burguesia financeira para ascenderem socialmente. Ainda sim, fazer qualquer apologia a qualquer um deles é suicídio. Ter sua imagem associada a qualquer truculência é suicídio, imagine a imagens como essas.
Ecclestone cometeu esse suicídio. Os bloggers do Grande Prêmio, Victor Martins e Flávio Gomes, fizeram duras críticas a Ecclestone, cada um trazendo um elemento interessante. Nossa hipócrita postura política, detonada por esses dois bloggers, e o fato de Ecclestone ter agido muitas vezes como esses totalitaristas, eliminando adversários e se apoiando em tantos outros. Vou pesquisar e acho que dentro de alguns dias, trago aqui um pouco da trajetória de Bernie. E faço o convite a todos que lerem este texto a fazerem o mesmo. Vamos debater e analisar o quanto Ecclestone não é apenas fruto de sua habilidade política-financeira, ou de sua truculência. Vejamos quantos os apoiaram. Quantos nos blogs e sites de jornalismo elogiaram Ecclestone por suas posturas, e quantos acompanharam sua ascenção dentro da categoria.
Se Hitler e Ecclestone tem em comum uma série de posturas, tem também em comum grandes feitos (nada elogiáveis, mas sim, grandes feitos) e principalmente, o apoio de muita gente que tinha/tem posturas semelhantes e sobretudo, desejos de ascenção social por quaisquer veículos que sejam. Minha crítica não é somente a estes dois sujeitos históricos, mas também à hipocrisia de atribuir grandes males a grandes malfeitores, absolvendo todos os outros. Minha crítica é mais ferrenha, talvez. Mas não absolve ninguém.
* período compreendido entre mais ou menos a década de 1870 à 1910, sendo que estas colônias, que se localizavam na Ásia e África, essencialmente, foram sendo independizadas ao longo do período entre guerras e principalmente no pós-guerra, gerando inúmeros conflitos internacionais, fossem apenas diplomáticos ou fossem conflitos armados.

quinta-feira, 4 de junho de 2009

Mosley, o "monarca" enxaqueca e a "independência da Fota


A novela está ficando insuportável. 18 equipes confirmadas :as 10 desta temporada mais Superfund, Lola, Epsilon Euskadi, Prodrive, Us-boto-o -nome-que -quiser-até-Bernie-dizer -que-não (está virando piada da temporada o nome dessa equipe dos EUA), Brabham,N. Technology e Campos. Litespeed, da F-3 Inglesa e March foram anunciadas pela imprensa alemã, mas sem confirmação. Quem quer montar uma equipe comigo?

Sério, tá enchendo o saco.


As equipes da Fota (Williams suspensa) se inscreveram sob certas ressalvas anexadas no protocolo, O que as deixa à mercê de Mosley, o garoto-enxaqueca. Se as condições propostas pela Fota não forem aceitas, elas deixam o campeonato, e cada vez mais acho que deixam. Sinceramente acho legal termos novas equipes, 3 ou 4 a mais, e com a possibilidade de termos mais em alguns anos, com certas reformulações no regulamento esportivo, o que também se aplica ao técnico. Isso p/ acabar com essa pretensa identidade fechada e congelada no tempo da F1, a-histórica.


Buut...mesmo com a iniciativa até razoável da Fota, que permitia uma redução gradual e planejada, com possibilidade de fazer comercialização de peças (e até de chassis) das equipes maiores pelas iniciantes. Até aí consoante com declarações do próprio Mosley. Tudo parecia virar pizza, como em nosso "amado salve-salve" argh..Parlamento. Mas não está sendo. Pode até ser que no fim, eu tenha de rezafer este post e dizer: é, deu pizza!


Mosley quer a "democratização", num sentido quase irônico, burguês e figurado do termo (e não menos coerente com as defesas de democracia feitas por nossos partidos "liberais e democratas") e quer equipes novas, renovar a idéia da principal categoria do automobilismo. E, principalmente, quer mostrar que sua pessoa e a instituição que gere há tanto tempo são mais importantes que as lideranças historicamente constituídas (Ferrari...e a atualmente muda Maclaren), novos poderes (Toyota, Red Bull e BMW) e os vem-e-vai da Renault. Force India e Brawn dificilmente continuam no barco da Fota se este naufragar. Mosley sabe disso e vai pressionar quanto puder, e terá apoio de Ecclestone, que detém o nome da F1. Esse é o mais prejudicado em termos financeiros com a saída dos Fota, e vai segurá-lo de toda forma, com processos judiciais e o escambau...

O momento é mais sério: a crise mundial afeta loucamente o mercado automobilístico e isto dá o tom do que será o futuro da F1. A sanha de Mosley em sua afirmação política tomou rumos complicados para analisar historicamente...mas lembra o processo de independência política do Brasil, de 1822. Novas forças aliadas com forças historicamente fortalecidas rompem politicamente (embora não desejassem realmente isso) para reafirmar a lógica de poder delas, com medo de se saírem enfraquecidas tanto pelo poder do Monarca como pela crise ;no caso era mais política que econômica, mas são os interesses econômicos que levam à independência...hj seriam os interesses políticos que gerariam a dissidência.


A MacLiar, expressão do Cassius Clay Regazzoni vai ficar, a Toyota e a Renault provavelmente ficam como fornecedoras de motores, mas estão p/ sair enquanto equipese quem se saíra fortalecida será a Cosworth, que fornecerá motores p/ todos os novos, praticamente. E a Mercedes, que ganha com o enfraquecimento das outras montadoras.

sexta-feira, 22 de maio de 2009

O caso Mosley

Faz um certo tempo que pretendia escrever sobre Max Mosley. Advogado, ex-piloto de marcas, fundador e co-proprietário da extinta March, advogado e conselheiro jurídico da também extinta FOCA (Formula One Constructors Association), articulador do primeiro Pacto de Concórdia (acordo entre a extinta FISA a FOCA) - e daí carro chefe de sua campanha para se eleger na FIA, em 1993, que retomava a dianteira da F1, a princial categoria de monopostos do mundo-presidente da FISA e depois da FIA, na qual foi um dos principais articuladores para as melhorias nas condições de pista e de segurança nos carros, impulsionador de tecnologias responsáveis. Tudo isto daria ao inglês, de pai político britãnico influente e fascista, ligado aos nazistas alemães, e ligado ao partido conservador do pai (não sei, a piadinha com os chicotes é inevitável), uma biografia contundente, controversa e ambígua.
O fato é que este homem construiu sua trajetória ao largo do esporte a motor, e muito influenciou nestes últimos anos, com quatro mandatos consecutivos da Federação internacional que cuida deste mesmo esporte. E igualmente ligado aos últimos escândalos, desfechos tragicômicos e polêmicas de regulamento, disputas políticas que sem dúvida mancharam a imagem do automobilismo na opinião pública .
Sujeito fácil de se encontrar em qualquer blog que fale de velocidade, como este recém-criado, Mosley travou nos últimos meses uma batalha sem fim com a FOTA (uma versão atual da antiga FOCA) e com a Ferrari, líder da FOTA (aparentemente). O regulamento ambíguo acerca dos difusores de duplo andar, o teto orçamentário e o regulamento esportivo decorrente deste teto que divide, em termos práticos, a categoria em duas e aumenta o controle financeiro/ e político/ e ideológico da FIA sobre as equipes, são as pautas de discussão. No fogo cruzado, antigos aliados constróm desavenças públicas, discute-se o papel simbólico da Scuderia a F1 e vice-versa e não se chega a lugar algum. Ou se chega a um lugar triste, a perda de legitimidade junto ao público que não é tão chegado às disputas, que vê F1 por torcer para compatriotas, como é quase regra no Brasil (há exceções, evidentemente...)

A Ferrari perdeu a última no tribunal. Mosley perdeu o filho e a credibilidade, mas ganhou no cabo-de-guerra, rachou a opositora FOTA, esta que terá um longo e difícil processo de reorganização, não tenham dúvida. Resta saber se a tempo de impedir uma nova reeleição de Mosley.

terça-feira, 19 de maio de 2009

O que mais correu em Mônaco


O gp de Mônaco de 2009 marca Barrichello como o piloto que mais pilotou no circuito monegasco. E, naturalmente, como estamos chegando à 6ª etapa do Campeonato de 2009, a considerada mais glamourosa de todo o circuito, é regra nos blogs que tratam de Fórmula 1, de relembrar algumas corridas. E como a proposta deste blog é articular História e F1, porque não analisar sob a perspectiva de Histórias da F1?

Barrichello fez corridas interessantes em Mônaco. Destaco duas:


  • Gp de Mônaco em 1997: vitória de Schumacher, com excelente escolha para pneus de chuva, enquanto as Williams (de Frentzen e de Villeneuve) e a MacLaren de Häkkinen patinavam com acertos e pneus p/ pista seca, seguindo o warm-up daquele domingo. Vale lembrar que Frentzen havia sido o pole. As Jordans do Fisico e de Ralf Schumacher também bem colocadas. Rubinho largou em décimo e foi parar, em poucas voltas, em segundo, fazendo excelentes ultrapassagens, com grande consistência. Foi o primeiro pódio da Stewart e rendeu elogios do mundo todo. Também marcou o piloto pois depois dali teve sua lua de mel. fonte:http://autoracing.virgula.uol.com.br/forum/lofiversion/index.php/t43720.html

http://www.youtube.com/watch?v=HcRgQ-k3CgU (vídeo mostrando as ultrapassagens de Rubens e Ralf em cima de Fisichella)



  • O Gp de Mônaco de 2008 foi um dos vários em que Rubens venceu Button naquele ano, mostrando que estava ainda pronto p/ novos desafios na categoria. Massa fez a pole, iniciou bem mas rodou e perdeu a pole para Kubica. Hamilton fez uma baita corrida, mesmo tendo furado o pneu no muro de proteção,se manteve entre os primeiros, e foi ganhando posições até vencer. O destaque negativo foi o de Raikkonen, que corria bem e abalroou Sutil, o destaque positivo da corrida; foi tanta "maldade" Sutil ter ficado de fora da prova, que o alemão chorou copiosamente, e todos lamentaram aquela que seria a primeira pontuação da Force India, e que também seria o destaque nas manchetes. Não foi, e o "homem de gelo" nem desculpas pediu.Rubinho foi consistente, mesmo tendo largado do 15º lugar, a Honda trabalhou bem e o brasileiro quebrou um jejum de 22 corridas sem pontuar, o grande jejum de sua carreira.

http://www.youtube.com/watch?v=k8uxBbXCeD8 (vídeo produzido pela Honda em 2008 acerca de sua participação nesta prova)


O Gp de Mônaco começa suas atividades daqui a dois dias, e culmina no domingo. A situação é completamente diferente no ano passado; Rubens está atrás de Jenson no campeonato,e ambos estão em uma equipe competitiva. A pressão por resultados aumentou bastante desde o segundo lugar malfadado que o brasileiro conquistou (ou perdeu o primeiro...), isso pela polêmica pós-Espanha, e pelo simples fato de Rubinho ter mostrado finalmente a que veio em 2009. A expectativa para Mônaco é sempre, e não é para menos, de corridas malucas e tensas, msm sendo praticamente impossível conseguir uma ultrapassagem, exceto em dias de chuva. O guard-rail está lá, esperando os desavisados.