Os escritores que aceleram neste blog

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acompanho a F1 desde 1994. por vezes o estranhamento choca e traz interesse. gosto de história desde 2002. bons professores trazem a tona paixões que pareciam subexistir. sou Ridson de Araújo, tenho 21 anos, faço História na Universidade Federal do Ceará.

A Redação

Este blog foi criado no intuito de divulgar, publicizar opiniões caladas e pesquisas que em geral não tem o devido espaço que (acreditamos) merecem. A iniciativa foi de Ridson de Araújo, e agora contará com colaboradores. Cada pessoa que se encontra aqui na redação tem o potencial como várias outras pessoas que tem/não tem internet, de pensar e agir. Duas paixões e duas escolhas: História(s) e Velocidade.

O blog, na verdade: é de todos.

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sábado, 27 de junho de 2009

Montezemolo fala demais e alimenta a loucura de Mosley

Não, isso não é um post defendendo Mosley. Ao que nos parece, a situação se tornou tão maniqueísta que criticar um é defender o outro, e isso é uma completa sandice. Não temos que tomar partido de quem não gostamos por destestar o outro.

A situação parecia caminhar para uma pizza. Saiu um chili bem apimentado, e não foi obra apenas da truculência-piti de Mosley, o cara que muda de idéia a cada manchete nos jornais. Mas, incrivelmente, Montezemolo não sabe ficar calado.
Depois de horas de negociação, Montezemolo, Mosley e Ecclestone chegaram a um acordo, e horas mais tarde o italiano chega com a seguinte frase: "Bom, finalmente teremos o fim de uma ditadura na FIA e na Fórmula ."

Curiosamente, ao mesmo tempo se veiculou notícias sobre o fim da gestão de Mosley, e que este seria afastado do cargo até a nova eleição. Ora, o uncle Mosley já passou pelo pão que o diabo amassou, perdendo a honra pública e um filho. Foi sumariamente atacado pela FOTA e pela opinião pública (nada que ele não tenha merecido, frise-se). Aí quando os ânimos (e os egos) se colocam mais ou menos em seus devidos lugares, Montezemolo ataca pelas costas, deixa por isso mesmo, não se retrata, não ajuda em nada. O que apenas corrobora o que eu vim dizendo por dias aqui no blog: o ego das equipes elitistas não é menor que o do Mosley. Muito menos a falta de habilidade política. E essas equipes não estao interessadas no bem da categoria, e sim nos lucros das montadoras que as regem.

Montezemolo mentiu? Não. É o fim anunciado, mas não efetivado, de Mosley, é. O melhor que Mosley poderia fazer estava fazendo: saindo, se poupando e assegurando que as equipes fora da FOTA tivessem direitos iguais aos das equipes FOTA nas decisões sobre a categoria. Vão se revelando cada vez mais as carcaças podres da Ferrari e da MacLaren a cada dia, e assim a possibilidade de racha só aumenta.

sexta-feira, 26 de junho de 2009

A História se repete? Drácon, Sólon e Mosley

Existem perspectivas históricas diversas, que dão as variadas percepções de História: a História Linear; a História Espiral; A História Cíclica; a História-Teia... Falando especificamente da História Cíclica, muito se pode comparar e fazer analogias no campo da História, desde que se tenha em mente de que são didáticas, são instigantes, mas não constituem verdade ou absoluta certeza, evitando anacronismos de valores.
Mas esse, embora seja um blog de História, não é um academicista, então temos mais liberdade:

Nas últimas semanas, presenciamos uma crise sem precedentes na curta história da Fórmula 1, que possui várias histórias, mas nada igual nos grandes acontecimentos estruturais. A guerra entre A FIA de Max Mosley e a FOTA, visivelmente capitaneada pela Ferrari (ou por Luca di Montezemolo), entraram em guerra pelos direitos de decisão do corpo regulamentar da categoria. Com diversos interesses em jogo, para muito além do esporte em si, propriamente dito. Os fãs acompanharam momentos tensos, que culminaram com a "morte" da categoria, com o racha. E depois de muitas acusações pesadas dos dois lados, o conflito teve um "fim" (há quem diga que por Montezemolo ter chamado Mosley de ditador, esse deu um piti e disse que a FOTA está tentando enganar a mídia veiculando notícias falsas, de que Mosley estaria afastado da FIA e que não se envolveria mais com F1.

No contexto da Grécia Arcaica, entrando na Clássica, houveram outros "ditadores"...ou tiranos. Crucificado por uma história que defende a democracia a qualquer custo, sem analisar as implicações dessa palavra (que foi imbuída de um sentido positivo, como explicaremos; calma, antes de me trucidar, é melhor ler o post todo); analisado e revisto (até exageradamente) pelos marxistas comunistas, Drácon representou os interesses de um lado (os comerciantes demiurgos locais, enriquecidos, mas afastados do poder central); e Clístenes, que foi fortalecido pela conjuntura de poder dos eupátridas (a elite dominante, a elite da terra fértil e proprietária de escravos).

As medidas de Drácon iriam totalmente contra os interesses dos eupátridas; Drácon era apoiado pelos potentados comerciais menores, e tinha leis muito rígidas (penas de morte, exclusão), mas outras medidas menos elitistas (tirar o poder absoluto dos eupátridas para o Estado ateniense, aliviando o peso sobre a população mais pobre, além de melhor distribuição dos alimentos para estas populações).

A elite eupátrida, ciente do perigo do TIRANO (tirania, poder que emana do povo), que tinha certo apoio popular e dos comerciantes locais, impôs um aristocrata no poder, Sólon. O que se revelou um erro, pois ele continuou com as medidas de Drácon, e ainda alargou, extinguindo a escravidão por dívidas, abonou as dívidas de hipoteca, favoreceu aos ricos, estipulando a plutocracia (poder de decisão e participação política os pluto (ricos), os comerciantes. E ainda estimulou o desenvolvimento comercial, dando as bases para a democracia ateniense, mas sem dar todo o poder à elite inerte. Esta conseguiu derrubá-lo, e colocar Clístenes no lugar. E instituiu a democracia (governo dos cidadãos, do povo), o que p/ vc deve soar ótimo. Será mesmo ótimo?

Quem eram os cidadãos: a elite,e alguns comerciantes que conseguiram negociar com a elite e aproveitaram as medidas de Sólon. A cidadania era de poucos, ou sjea, o poder de decisão continuou na mão de todos, mas a democracia vez ou outra na história é tomada como valor negativo (pelo próprios elitistas), porque para os contestadores (revolucionários ou não), a democracia é um valor popular, positivo. Contudo, os que hoje defendem a democracia, seja na FOTA ou não, estão nas esferas de poder, para poucos. Ou inventamos outra democracia, que seja de fato um poder para todos, ou a democracia é uma palavra historicamente fadada ao fracasso.

E onde isso entra na Fórmula 1? Mosley e Ecclestone são representantes de seus próprios interesses, e trocam de papel, entre Sólon e Drácon. Os da FOTA representam a elite do esporte, que se considera a "alma" da Fórmula 1, retomando discursos democráticos e frases de efeito. Bom, ouvir o telespectador, tirar o poder do esporte de meia dúzia de gatos pingados que dominam duas instituições de grande poder (FIA e FOM) é sem dúvida louvável. Mas daí a trocar o poder uma democracia, na qual o poder realmente fica na mão de poucos, que cada vez mais se enriquecem em cima de um esporte que nunca lhes pertenceu, é possível de se defender? Ah, como é. Tanto que muitos saíram abertamente defendendo a FOTA, esperando cair o poder do tirano, do ditador. Sem cair no anacronismo, mas é viável essa analogia? Eu creio que sim.

Eu fico na minha postura: trocar seis por meia dúzia é de lascar. P/ mim, ver novas equipes e como elas vão se comportar no começo vai ser um barato. Ver grandes disputas, mas dentro do esporte, ver novas equipes brigando pau a pau com outras superfaturadas é o maior barato. E gostaria muito que a "nova Fórmula 1" me permitisse ver isso.

Ps: Clístenes passou um ano e meio no poder, depois Atenas passou por uma série de legisladores, novos ditadores, novos elitistas no poder, quase 50 anos até se reestabilizar. Como vcs fariam uma analogia com os últimos acontecimentos da F1? E com o futuro dela? Será possível fazer analogias assim ou é forçoso? Opinem!

quarta-feira, 24 de junho de 2009

Último capítulo...

Bem, ao que parece chegou ao fim à queda de braço entre FIA e FOTA. No último post foi comentado sobre o papel do presidente da FOM como mediador entre as partes. E Bernie Ecclestone realmente conseguiu apaziguar os ânimos em reunião com Luca Di Montezemolo e Max Mosley e finalmente chegaram a um acordo. Não haverá mais outra categoria no próximo ano e todas as equipes da FOTA participarão da F-1, pelo menos, até 2012.

Hoje no Conselho Mundial da FIA em Paris, foi anunciado o acordo com a FOTA. Não foi divulgado se haverá o teto orçamentário em 2010, mas sim um compromisso das equipes em reduzir os custos, nos próximos dois anos, para atingir os níveis de gastos dos anos 1990, afirmou Max Mosley, sem esclarecer como será feito essa redução.
Além disso, a FOTA se comprometerá a ajudar as novas equipes, Campos, Manor e US F1.

Max Mosley também anunciou que não concorrerá à reeleição para presidência da FIA.
E isso parece ter sido o principal argumento para o acordo. Bem, agora vamos voltar atenção para o campeonato de 2009, mercado dos pilotos, as disputas na pista. E só em outubro saber quem será o Novo Presidente da FIA. E os campeonatos de Fórmula 1 até 2012 estão salvos!