
Eu confesso que mais uma vez não pude ver a corrida ao vivo. Tive que ter drops de emoções ao ver a corrida gravada, já sabendo por cima o que havia acontecido. Como na lição do filme "Lisbela e o prisioneiro", o importante não é saber como aocnteceu, e sim ver como aconteceu. O que vi foi uma manobra ousada sem dúvida de Rubens Barrichello. Mas, acima disso, vi uma sandice de Schumacher, ao achar que sua fechada passaria desapercebida.
"Blackflag! You have to give' im black flag!"Disse Rubens.
Os detratores de Rubens bradam sua boca-grande ao dizer que ele não era para ter reclamado desse jeito, que ele num pode dizer nada de ninguém, mas sinceridade: essa foi de enlouquecer. Rubens foi corajoso e não desistiu da possibilidade. Então, que Schumacher percebesse que não dava.
Os fãs de Rubens bradam a bandeira preta. Eu concordo até, pela violência da coisa, mas a incoerência se instauraria pela permissividade de comissários a outras fechadas. Fechada em muro não é defesa de posição, mas o que a F1 mais peca no momento é de incoerência.
Se culpa o race control, com frequencia, em diversos blogs amigos e outros nem tanto. Entretanto, às vezes esse controle precisa existir. Algumas das sandices ocorridas na pista, e alguns problemas que ocorrem nela, precisam ser investigados, questionados, postos à prova, com os vídeos e todos os recursos que a F1 dispõe e outros esportes fingem não saber.
As decisões nem sempre são as melhores, e nem sempre gostaremos mesmo quando fazem sentido.
Lembro de Alonso ano passado com a roda fora na Hungria. A Renault por isso não correria na Valência. Correu, porque faltaria dois carros num grid enxuto demais, e pela pressão de um piloto local poder ficar de fora... a Mercedes poderia ter matado o comissário; o que mais ouço disso é o mesmo da outra vez: ah, num matou, num pegou em ninguém, fica por isso mesmo.
O caramba!
Em um esporte (e seus fãs) que chora a morte de um mas tem vergonha de admitir o perigo que é, que faz uma apologia da segurança e esquece da competitividade para depois ousar na competitividade e abusar da falta de segurança, parece que muita gente quer mesmo ver o circo pegar fogo e tudo beleza.
Posso ter ferido com o orgulho de uma subclasse parcialmente grande e influente dos torcedores de F1, mas este ponto de vista precisa ser dito: é preciso questionar o saudosismo fatal da diversão pela barbárie.
O sentimento purista se corrói se um piloto fecha o outro e é punido, mas vale lembrar que se pode disputar um pega dos infernos com muita classe e estilo. Que digam Villeneuve e Arnoux.
Com tanta coisa a se dizer do lado esportivo em baixa, do corporativo em impressionante reforço pós jogo-sujo da Ferrari, não se pode confundir competitividade com sandice. Nem espetáculo com pão-e-circo.
Provavelmente serei muito mal compreendido depois deste post, mas este blog e eu, com o posicionamento de um historiador, não poderia ficar calado.