Os escritores que aceleram neste blog

Minha foto
acompanho a F1 desde 1994. por vezes o estranhamento choca e traz interesse. gosto de história desde 2002. bons professores trazem a tona paixões que pareciam subexistir. sou Ridson de Araújo, tenho 21 anos, faço História na Universidade Federal do Ceará.

A Redação

Este blog foi criado no intuito de divulgar, publicizar opiniões caladas e pesquisas que em geral não tem o devido espaço que (acreditamos) merecem. A iniciativa foi de Ridson de Araújo, e agora contará com colaboradores. Cada pessoa que se encontra aqui na redação tem o potencial como várias outras pessoas que tem/não tem internet, de pensar e agir. Duas paixões e duas escolhas: História(s) e Velocidade.

O blog, na verdade: é de todos.

StatCounter


View My Stats
Mostrando postagens com marcador Galvão Bueno. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Galvão Bueno. Mostrar todas as postagens

domingo, 1 de novembro de 2009

GP de Abu Dhabi 2009.

A estréia do circuito de Yas Marina até que foi boa. Não tão monótono como se esperava, e contou com poucas, mas boas disputas após a largada e no final da corrida. Sem falar na beleza do lugar, várias vezes citada na transmissão da corrida, onde Galvão Bueno deixava as disputas dos carros de lado para falar da modernidade do Hotel com suas luzes coloridas, além do pôr-do-sol.

Com as arquibancadas lotadas o público acompanhou a largada sem imprevistos, onde houve apenas um pequeno toque de Rubens Barrichello em Mark Webber, mas sem maiores conseqüências para ambos os pilotos. Lewis Hamilton, da McLaren partiu da pole, e buscava abrir a maior vantagem possível para Sebastian Vettel para assim, poder voltar à frente do alemão após a sua parada nos boxes, já que tinha menos combustível e pararia primeiro.

Entretanto, antes mesmo de sua primeira parada, o carro do inglês começou a apresentar problemas nos freios traseiros, sendo obrigado a abandonar, deixando o caminho livre para quarta dobradinha da equipe Red Bull no ano.

Sebastian Vettel que mesmo largando mais pesado, não deixava Lewis escapar. E somado o problema do inglês, Sebastian assumiu a ponta e rumou para mais uma vitória na categoria, e assim garantiu o vice-campeonato em 2009. Mark Webber que também imprimiu um ritmo forte no início, garantiu o segundo lugar, mas, na parte final teve que se virar para segurar o segundo posto dos ataques do Campeão Jenson Button que terminou mesmo em terceiro, todavia, pôde comemorar seu título no pódio.

As disputas mais ferrenhas foram protagonizadas por Robert Kubica: primeiro contra Jarno Trulli na volta inicial, onde andaram várias curvas lado a lado, até o polonês conseguir vencer o duelo contra o irritadiço italiano da Toyota, que neste GP não encontrou Sutil pelo caminho. E no segundo duelo contra Sebastien Buemi, na disputa pelo oitavo lugar. Mas, desta vez o piloto da BMW perdeu, na tentativa de passar o suíço da Toro Rosso ao emparelhar na curva, Robert passou erradamente por cima da zebra e rodou, chegando a tocar no carro do Buemi. O piloto da equipe de Faenza conseguiu manter a oitava posição, já Kubica, ainda perdeu o nono lugar para Nico Rosberg da Williams.

Kamui Kobayashi fez uma excelente prova e praticamente conseguiu sua efetivação na Toyota para 2010. Na largada superou Kimi Raikkonen. E em determinado momento da corrida encontrou Jenson Button pelo caminho, e aproveitou mais uma vez para tirar uma casquinha do Campeão Mundial de 2009. Button que voltava do seu primeiro pit-stop foi atacado e superado pelo ousado japonês.

Kobayashi que só fez uma parada e finalizou em sexto, marcando seus primeiros pontos na categoria. E de quebra ainda chegou à frente de seu companheiro de equipe Jarno Trulli, que aparentemente fez sua última participação pelo time nipônico com um sétimo lugar.

Rubens Barrichello chegou em quarto, seguido por Nick Heidfeld em quinto. O alemão que com esses pontos ajudou a BMW a superar a Williams pelo sexto lugar no mundial de Construtores na despedida da equipe da F-1.

Kimi Raikkonen finalizou em um melancólico décimo segundo lugar, deixa a Ferrari após três anos e não se sabe se permanecerá na categoria. Se for depender só da McLaren, acho que é adeus. Fernando Alonso se despede da Renault em um inexpressivo décimo quarto posto, em sua segunda passagem pela equipe francesa. Nico Rosberg e Kazuki Nakajima que deixam a Williams finalizaram em nono e em décimo terceiro lugares respectivamente.

Acabou a imprevisível temporada de 2009, com um Campeão inédito em uma equipe estreante: Jenson Button e Brawn. Agora só falta à definição das equipes quanto aos pilotos que vão correr em 2010, com um regulamento totalmente diferente. E muitos outros assuntos a serem resolvidos como patrocinadores, motores entre outros.

Agradecemos atenção de todos durante esta temporada, e vamos aguardar ansiosamente pela temporada de 2010 que terá inicio no dia 14 de março de 2010, no Bahrein.

Resultado Final:

1º. Sebastian Vettel (GER/Red Bull), 55 voltas em 1h34min03s314
2º. Mark Webber (AUS/Red Bull), a 17.857
3º. Jenson Button (ENG/Brawn), a 18.467
4º. Rubens Barrichello (BRA/Brawn), a 22.735
5º. Nick Heidfeld (GER/BMW), a 26.253
6º. Kamui Kobayashi (JPN/Toyota), a 28.343
7º. Jarno Trulli (ITA/Toyota), a 36.366
8º. Sebastien Buemi (SWI/Toro Rosso), a 41.294
9º. Nico Rosberg (GER/Williams), a 45.941
10º. Robert Kubica (POL/BMW), a 48.180
11º. Heikki Kovalainen (FIN/McLaren), a 52.798
12º. Kimi Raikkonen (FIN/Ferrari), a 54.317
13º. Kazuki Nakajima (JPN/Williams), a 59.839
14º. Fernando Alonso (SPA/Renault), a 1.09.687
15º. Vitantonio Liuzzi (ITA/Force India), a 1.34.450
16º. Romain Grosjean (FRA/Renault), a 1 volta
17º. Giancarlo Fisichella (ITA/Ferrari), a 1 volta
18º. Adrian Sutil (GER/Force India), a 1 volta

Não concluíram:

19º. Lewis Hamilton (ENG/McLaren), 21 voltas
20º. Jaime Alguersuari (SPA/Toro Rosso), 19 voltas

Melhor Volta:

Sebastian Vettel (GER/Red Bull), 1.40.279 - Volta 54.

sábado, 18 de julho de 2009

Uma opinião: Galvão Bueno

Vamos dar início, aqui no blog, uma sessão semanal trazendo uma opinião sobre algum piloto (do presente e do passado), jornalista do meio esportivo, dirigente de equipes, historiadores, enfim sobre aqueles que são alvo de nossos comentários aqui no blog Histórias e Velocidade.
Essa figura, Galvão Bueno, é uma das mais polêmicas da história da Rede Globo de televisão, talvez de toda a imprensa brasileira. Digamos, sem exagero algum, que virou um esporte nacional xingar ou fazer gozação com esta figura polêmica. E, ainda sim, Galvão Bueno possui vários admiradores.
Galvão começou no rádio paulista, passou pela TV Gazeta e pela Rede Record, antes de se dirigir à Rede Bandeirantes, em 1979, na qual ficou até 1981, quando foi para a Rede Globo, estreando na narração de jogos da "Libertadores da América". Depois da saída de Luciano do Valle, em 1982, após a Copa do Mundo, tornou-se o locutor oficial da emissora, adquirindo prestígio crescente e tornando-se amigo pessoal de esportistas, comentaristas e se aproveitando dessa proximidade para conseguir entrevistas inéditas, comentários em emissões etc. (que, apesar de ser uma tática comum de jornalista, acabou sendo marca registrada de Galvão Bueno). Lá permaneceu até sair no fim de 91, indo para a Rede Om, atual CNT, tendo relativo sucesso , mas nada tão destacado. De comum acordo, volta para a Globo em 1993 e permanece até hoje. E lá ficará, no mínimo, até 2014, se nada acontecer para impedir isso.
É uma análise simples, com algumas fontes de Youtube. Qualquer um que procure vídeos sobre antigas narrações da TV Globo, em reviews feitos pelo "Platavideos", de corridas dos anos 80 e início dos 90, ou raros vídeos de reviews de narrações de 1980, na TV Bandeirantes, mostram um Galvão Bueno bastante diferente (não só fisicamente, obviamente), em seu estilo de narração, mas também em seu comportamento durante a mesma narração. Pode até ser difícil acreditar, mas Galvão Bueno era diferente, e trago uma hipótese simples, mas válida: quanto mais tempo na TV, mais tosca a figura fica.
Mudanças mais significativas:
- Deixava os comentaristas falarem à vontade, e ponderava apenas o que era possível para um narrador esportivo, com conhecimento limitado. Hoje em dia monopoliza a narração, não deixando nem os comentaristas e nem os repórteres in loco atuarem quando julgassem necessário.
-Eram narrações mais objetivas, sem termos arranjados, floreios e até mais esclarecedoras, sem muitas gafes (aparentemente). Ponderando que as imagens são edições, podemos estar enganados, mas é marcante a diferença.
- Dava mais emoção e dinamismo às narrações em triunfos de não-brasileiros, sem demonstrar tanto um ufanismo escrachado e até chato.
Ainda sim, era possível já perceber as muitas suposições feitas por ele durante as narrações, suposições estas de cunho até psicológico, do estado de pilotos. Isso é mais visível nos anos de Globo, mais precisamente de 1983 em diante (do 2º título de Piquet em diante). Nas narrações futebolísticas, em embates de clubes brasileiros contra outros brasileiros, narrações até limpas, mas entre clubes brasileiros e estrangeiros, na " Libertadores da América", já ia revelando traços claros de sua postura, o que sem dúvida facilitava a narrativa para os torcedores nacionalistas, mas tornava difícil a digestão por parte da imprensa que preza a imparcialidade (cuja existência não acredito, e sim prefiro uma objetividade e clareza).
Como o próprio narrador se auto-intitula, é "a voz" do esporte nacional. Quer queiramos, quer não. E essa é uma construção histórica que se veicula através do meio de comunicação chamado imprensa televisiva, de grande espectro e muito marcante, especialmente se falamos de Rede Globo. Sem dúvida, é o motivo principal: ser o narrador principal da principal emissora brasileira de televisão (o que, em minha opinião, não dá nenhuma credibilidade ou qualidade, mas é sem dúvida a de maior audiência e influência).
A segunda razão vem da primeira.: Galvão, sendo o narrador "oficial", acompanha grandes momentos do esporte, como as vitórias da seleção de Futebol, das principais conquistas automobilisticas de Senna (amigo pessoal) e Piquet (essa relação mais complexa e estranha, se respeitam na visão pública, mas nunca se bicaram nos bastidores),e de conquistas em outras áreas. E também de grandes "tragédias" no meio esportivo, como mortes, grandes e marcantes derrotas, etc. Seus gritos, seus "R" rasgados e intermináveis ; e seus silêncios constrangedores e/ou tons graves e tristes, regados de críticas e suposições do imponderável nos acompanham nas importantes narrações do esporte, nas lembranças e vestígios do passado.
Sobre as vitórias de Senna, marcou sua voz, junto com o tema da vitória, no imaginário coletivo de muitos brasileiros que inclusivem falam que, quando não é o "Galvão", parece não ter a mesma emoção. Outros muitos apreciam rir de suas gafes, de suas crescente erradas e divagações, com a natural perda de memória (afinal Galvão completará 59 anos na próxima terça dia 21), voz mais rouca. Outros muitos, como disse no começo,o xingam porque é hábito, porque faz parte do complexo ritual de se sentar diante da televisão e descarregar suas inquietações, frustrações... e muitos outros que, com razão, se cansam de ter uma narração não-objetiva, não-informativa, que tenta secar adversários e inflamar possíveis heróis que não tem as condições (Às vezes o perfil) para cumprirem o papel. Rubinho, Ronaldinho(s), e tantos outros os que foram suas jóias raras de babação-de-ovo em rede nacional? E mesmo Senna, mito santificado criado por emissoras, por ele próprio, por marketings bem estabelecidos, sacramentados com muito talento e uma morte trágica e (porque não?), poética, desfecho chocante de uma carreira de sucesso, passaram pela narração do amigo Galvão Bueno.
'Galvão" é um personagem criado por Carlos Eduardo dos Santos Galvão Bueno. E pesa. E cai como uma luva, tão contraditório e tão dicotômico quanto Rubens Barrichello. Cresceu com o esporte, com a Rede Globo, alcançou fama, prestígio, e nela se perdeu. Perdendo o amigo e veículo de auto-promoção Senna, tentou e tenta eleger outros mitos para se firmar, para lutar contra a idade e contra um estilo de narração que só decái em qualidade, por pensar que a narração é um monólogo interminável que precisa a todo custo de improvisos e besteiróis, que precisa de "emoção" quando nem mesmo o esporte parece dar.
Galvão e sua experiência não são de se jogar fora: filhos correm no automobilismo; passou a entender muito de carros convivendo com pilotos e de vez em quando usa esse conhecimento nas corridas, junto a Reginaldo Leme e Luciano Burti. Talvez muito mais pela falta de nível da concorrência dentro da própria Globo, que possui narradores ruins, como Cléber Machado (esse me dá náuseas) e outros bons, que não parecem saber muito conduzir uma corrida, como Luiz Roberto (o melhor narrador na Globo atualmente).
Sabemos que para gatos velhos não se ensinam truques novos, então não é de se esperar uma melhorada em "Galvão", o personagem narrador-observador que teima em intervir.E sim, muitos terão que aturá-lo na absoluta falta de opções. Mas é curioso lembrar que Galvão nem sempre foi assim,mostrar e perceber que o personagem é construído dentro de sua própria história, e dentro do contexto em que se insere.
São apenas, como quase tudo na vida, opiniões.
Fontes: