Os escritores que aceleram neste blog

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acompanho a F1 desde 1994. por vezes o estranhamento choca e traz interesse. gosto de história desde 2002. bons professores trazem a tona paixões que pareciam subexistir. sou Ridson de Araújo, tenho 21 anos, faço História na Universidade Federal do Ceará.

A Redação

Este blog foi criado no intuito de divulgar, publicizar opiniões caladas e pesquisas que em geral não tem o devido espaço que (acreditamos) merecem. A iniciativa foi de Ridson de Araújo, e agora contará com colaboradores. Cada pessoa que se encontra aqui na redação tem o potencial como várias outras pessoas que tem/não tem internet, de pensar e agir. Duas paixões e duas escolhas: História(s) e Velocidade.

O blog, na verdade: é de todos.

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domingo, 5 de setembro de 2010

Sim, e o Button?


Desde o acidente no GP da Bélgica entre Sebastian Vettel e Jenson Button, muito tem se discutido e debatido sobre punição aplicada à Vettel. Uns têm defendido o piloto alemão, já outros têm criticado severamente, e parece que essa discussão ainda levará um tempo.


Mas é interessante notar que o maior prejudicado no acontecido ficou em segundo plano. Pouco se fala como sobre o prejuízo que Jenson Button teve com o acidente, a atenção foi toda direcionada para o mérito, ou não, da punição dada ao Vettel.


Button que vem fazendo mais um excelente campeonato foi esquecido como se nem estivesse na luta pelo título ou como se não tivesse mais chance de lutar contra Lewis Hamilton. Foi seu segundo abandono no ano, mas em nenhum dos casos por culpa dele. Em Mônaco os mecânicos esqueceram a tampa do radiador, e agora, novamente, abalroado em Spa-Francorchamps como em 2009.


Claro que Lewis Hamilton e Mark Webber abriram uma boa vantagem e ambos vêm pilotando muito, diga-se! Resta à Button melhorar nas classificações, seu ponto fraco esse ano, e voltar a vencer, para manter viva as esperanças do segundo título. E de agora em diante, ter enorme cuidado quando Vettel estiver por perto!

domingo, 28 de março de 2010

GP da Austrália 2010- A Corridaça


Ferrari e McLaren já colhem os frutos de suas aquisições. Primeiro foi Fernando Alonso que venceu no Bahrein na sua estréia pela Ferrari, e agora, foi a McLaren que viu Jenson Button vencer em sua segunda corrida pelo time. Como sempre a corrida no circuito de Albert Park foi muito movimentado e cheio de alternativas, mas chuva que caiu antes da largada foi um fator preponderante para encher a prova de emoção com várias ultrapassagens, toques, duelos, barbeiragens, acidentes e a intervenção do safety car. E todos os pilotos largaram com os pneus intermediários.


E na largada, três pilotos tiveram destaque por ganharem várias posições, Felipe Massa, Robert Kubica e Lewis Hamilton. Já Fernando Alonso largou mal, e na primeira curva houve um toque com Jenson Button, no qual o espanhol da Ferrari rodou levando junto Michael Schumacher da Mercedes-Benz. Alonso ficou virado ao contrário, mas teve sorte de não ser acertado por nenhum outro carro, e assim, pôde fazer sua excelente corrida de recuperação. Michael Schumacher teve asa dianteira danificada após o toque e foi o primeiro piloto a se encaminhar para o Pit Lane, retornando atrás do Fernando.


Ainda na primeira volta um acidente impressionante, protagonizado por Kamui Kobayashi, da BMW Sauber, após um toque que resultou na quebra de sua asa dianteira, o japonês perdeu o controle do carro, bateu no muro, voltou para pista e acertou violentamente Nico Hulkenberg, da Williams e Sebastien Buemi, da equipe Toro Rosso, provocando a entrada do safety car. Os pilotos envolvidos saíram ilesos. Aliás, os toques com quebras da asa dianteira foi algo constante e preocupante neste GP.


Após a relargada, começaram os shows de Lewis Hamilton, Robert Kubica e Fernando Alonso. Primeiramente o inglês foi para cima de seu companheiro de McLaren, Jenson Button. Logo depois conheceu seu maior oponente na corrida, Mark Webber da Red Bull. Os dois andaram sempre próximos e por duas vezes se tocaram nas diversas disputas que participaram. Tanto Lewis como Mark optaram por mais de uma troca de pneus para pista seca e ambos alternavam as voltas mais rápidas da corrida. O polonês da Renault extraiu tudo do seu carro e suportou a pressão de carros mais rápidos, inclusive do impetuoso Hamilton. O espanhol da Ferrari não tomava conhecimento de ninguém que estava a sua frente e barbarizou com belas e ousadas ultrapassagens, sendo contido, apenas, quando chegou atrás de Felipe Massa. Alonso ainda foi muito competente ao se defender dos ataques de Lewis e Webber que vinham com pneus menos desgastados, ou seja, mais velozes.


Entretanto, a jogada de mestre foi do atual Campeão Mundial, Jenson Button, ele foi o primeiro piloto a arriscar pôr os pneus slicks na 7º volta, chegando a sair do traçado na saída dos pits, mas a atitude se mostrou eficaz. Logo depois todos os outros pilotos tiveram que fazer o mesmo. E o inglês que já vinha mais rápido com os pneus mais aquecidos superou Robert Kubica que retornava de sua troca ficando atrás, apenas, de Sebastian Vettel, da Red Bull que dominava mais uma prova, até ter problemas na volta 27. Desta vez não foi o motor, e sim, os freios que tiraram mais uma vitória do jovem alemão para alegria geral na McLaren.


Outro destaque na etapa australiana foram as equipes novatas que acrescentaram ingredientes a mais nas disputas dos lideres. Kovalainen, da Lotus e Chandhok, da Hispania estiveram por diversas vezes entre eles atrapalhando ou ajudando os lideres na briga por posições.


A Mercedes-Benz esteve bem discreta, Nico Rosberg chegou em 5º, devido ao toque no final da corrida entre Hamilton e Webber. Já o “desenferrujando” Michael Schumacher teve muita dificuldade para superar carros mais lentos, foi interessante ver como certos pilotos dificultaram ao máximo as tentativas de ultrapassagem do heptacampeão, sendo que o duelo mais difícil para o piloto mais velho do grid foi justamente com o mais novo, Jaime Alguersuari da equipe Toro Rosso. Foi impressionante o tempo que Schumacher ficou preso atrás do jovem espanhol. O alemão só conseguiu superar Jaime no finalzinho da corrida, chegando em 10º lugar.


Webber ainda conseguiu o 9º lugar, depois de ir para os boxes para trocar o bico. Rubens Barrichello novamente levou a Williams aos pontos com o 8º posto. Mais uma vez Vitantonio Liuzzi é o cara da Force India com um ótimo 7º lugar. O batalhador, arrojado e impetuoso Lewis Hamilton finalizou na 6º posição.


Fernando Alonso, líder do campeonato, terminou em 4º, Felipe Massa conseguiu seu segundo pódio consecutivo em 2010, desta vez foi 3º. Um surpreendente Robert Kubica em 2º e o grande vencedor Jenson Button com técnica, ousadia e competência repete a vitória de 2009, em Melbourne, agora pela McLaren.


RESULTADO FINAL:

1°) Jenson Button (ENG/McLaren), 58 voltas em 1h33min36s531
2°) Robert Kubica (POL/Renault), a 12.034
3°) Felipe Massa (BRA/Ferrari), a 14.488
4°) Fernando Alonso (SPA/Ferrari), a 16.304
5°) Nico Rosberg (GER/Mercedes-Benz), a 16.683
6°) Lewis Hamilton (ENG/McLaren), a 29.898
7°) Vitantonio Liuzzi (ITA/Force India), a 59.847
8°) Rubens Barrichello (BRA/Williams), a 1.00.536
9°) Mark Webber (AUS/Red Bull), a 1.07.319
10°) Michael Schumacher (GER/Mercedes-Benz), a 1.09.391

NÃO PONTUARAM:

11°) Jaime Alguersuari (SPA/Toro Rosso), a 1.11.301
12°) Pedro de la Rosa (SPA/BMW Sauber), a 1.14.084
13°) Heikki Kovalainen (FIN/Lotus), a 2 voltas
14°) Karun Chandhok (IND/Hispania), a 4 voltas

NÃO CONCLUÍRAM:

15º) Timo Glock (GER/Virgin), 41 voltas
16º) Sebastian Vettel (GER/Red Bull), 26 voltas
17º) Lucas di Grassi (BRA/Virgin), 25 voltas
18º) Adrian Sutil (GER/Force India), 12 voltas
19º) Vitaly Petrov (RUS/Renault), 10 voltas
20º) Bruno Senna (BRA/Hispania), 5 voltas
21º) Sebastien Buemi (SWI/Toro Rosso), 1 volta
22º) Nico Hulkenberg (GER/Williams), 1 volta
23º) Kamui Kobayashi (JPN/BMW Sauber), 1 volta
Jarno Trulli (ITA/Lotus), Não largou

MELHOR VOLTA:

Mark Webber (AUS/Red Bull), 1.28.358, volta 47.



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Pitacos pós-corrida, por Ridson de Araújo


Vou aproveitar aqui o post do Jobson p'rá colocar os meus. O Jobson, como eu e ele combinávamos, é o melhor para detalhar o que se passou na corrida e eu o "rei" das análises toscas.
Amanhã colocamos as notas, mas desde já, o que se pode dizer é: corridaça! Uma das melhores que assisti na minha vida. Ainda bem que eu estou gravando todas as corridas, criando minha videoteca, pq valeu a pena finalmente.

- Button venceu na estratégia, na ousadia. Não foi brilhante, mas sim preciso e constante, como ele mostrou ser ano passado. O carro ajudou, mas ele era o cara certo na hora certa. Vitória justa, portanto.
- Vettel mais uma vez refém do carro. Creio que mereceria vencer, foi perfeito, discreto e absoluto, até os freios simplesmente deixarem de existir. E olha que ainda teve gente para criticá-lo... Muito diferente do Webber, que vinha fazendo uma corrida de altos e baixos do mesmo jeito que Hamilton, até errar feio e quase criar um senhor strike. Alonso escapou por um triz.
- A dupla da Ferrari foi ótima, e superou muito bem as adversidades. Destaque para a ótima largada de Massa, e para a habilidade dele de controlar um carro que aparentemente não tinha nenhum equilíbro. Entretanto, Alonso foi genial, genial. Se lascou na largada, largou mal, foi tocado por Button, caiu p/ final, se recuperou, brigou, foi levando e quando chegou no Massa, os pneus foram embora. Mesmo assim, foi mestre dos magos ao segurar os leões Hamilton e Webber.
- Os leões deram um charme para a corrida. Ela não teria sido a mesma sem eles. Hamilton fez burrada na primeira batida, e Webber fez burrada na 2ª. O espírito Mansell assolou o coração e a mente deles, e eu não estou, sinceramente, nem aí se eles vão se dar bem ou mal, mas que eles continuem com o espetáculo.
- Liuzzi e Barrichello fizeram corridas honestas, rápidas para seus carros limitados. Liuzzi se beneficiou de uma troca só, e passou Barrichello neste ponto, mas eu pude acompanhar pelo live timming da FOM e simplesmente eles eram sensacionais para seus limites. Deram, no entanto, azar com as paradas de box, principalmente Barrichello. Mesmo assim, os carros que chegaram na frente deles os teriam ultrapassado.
- Kubica foi genial, mas contou com a sorte para ter estado ali. A estratégia dos boxes deu certíssimo na hora de colocar o slick, ele foi rápido quando não tinha mais pneu e conquistou o segundo lugar com mérito. Contudo, eu diria que a Renault já é a melhor das intermediárias...esse carro vai nos dar mais surpresas. Seu companheiro, no entanto, foi patético.
- As Mercedes fizeram corridas diametralmente opostas e ao mesmo tempo iguais. Um lá atrás, por conta da batida entre Button e Alonso, Schumacher ficou preso em Alguersuari... nada bem. E Rosberg deixou a desejar no fim, quando poderia ter passado Alonso: mas Alonso não deixou passar ninguém hehe.
- As novatas passaram por calvários para um de seus pilotos, e procissão para o outro. Trulli nem largou, Kovalainen ainda o melhor dos pilotos das novatas. Chandhok inexplicavelmente chegando no final e as Virgin até que rodaram bem mais. Senna pena duro com esse carro.

Destaque final para a " lapada segura", como dizemos aqui no Nordeste do Koba em cima do Hulk. Não acho que o japonês tenha tido culpa, mas que foi uma senhora porrada, isso foi. Sorte mesmo não ter sido algo bem grave. Ainda bem, pq a corrida foi de mestre.

sexta-feira, 19 de março de 2010

A odisséia da falta de ultrapassagens

Não faltaram comentários, posts e reportagens questionando todos os envolvidos no cenário da F1 sobre o que fazer com a falta de ultrapassagens na F1. Não vou ficar aqui repetindo o mais do mesmo de todos estes textos, cada qual com suas informações relevantes (ou não) para um debate que me parece um tanto quanto redundante demais.

Estive, nos últimos meses, entre um momento e outro de sossego no meio de um furacão de atividades para fazer (fins de faculdade, concursos para professor etc, motivos pelos quais estive tão ausente, tão sem tempo, tão sem graça para comentar qualquer coisa, e que o Jobson primorosamente supriu minha ausência) baixando corridas dos anos 80 e início dos anos 90...mais precisamente, num recorte entre 1980 a 1994, período considerado áureo por muitos fãs da F1, o período em que todos se baseiam para criticar a falta de emoção das corridas. Não vivi ativamente neste período, pq sou de 88, e não entendia nada de corridas até 1996 para frente.Curiosamente, acabei tirando algumas conclusões destas "fontes históricas":

1. existiam verdadeiras procissões, demarcadas por corridas chatas e quase sem ultrapassagens em, no mínimo, 40% das corridas inteiras.
2. as alternativas das corridas eram baseadas quase que exclusivamente no gasto de pneus, na possibilidade de um ou outro ter problemas mecânicos, ser induzido a um erro ou quebra de motor. As estratégias em suma, se davam no consumo dos pneus. Poucos e raros eram os exemplos deganhos de tempo baseados em uma mudança de trajetória e ataque Às zebras, e aopinião dos pilotos era de que, basicamente, o carro fazia o campeão, e não o contrário, salvos os exemplos de 1986 e 1991, nos quais Prost e Senna venceram por habilidade e regularidade, e não por terem os carros mais rápidos. Vale ressaltar que em ambos os casos, estes pilotos competiram com as Williams, rápidas e problemáticas como as atuais Red Bulls.
3. De fato, alguns campeonatos me chamaram a atenção: 1984 e 1993, porque tiveram mais emoções em suas corridas. Não consegui exatamente estabelecer um padrão entre eles, mas foram marcados por grandes pilotagens de experientes e jovens pilotos em início de carreira. Um Senna estreante, assim como um Bellof iniciante em 1984, como Barrichello estreante e Fittipaldi iniciante; e a experiência de Piquet e Lauda em 1984 com a experiência de Senna e Prost de 1993.Além de termos um na época, win-or-wall de 1993, Michael Schumacher.

E daí? O que estas corridas do passado me disseram em termos de competitividade, para podermos pensar o agora?

- As corridas tinham alternativas pela falta de confiabilidade do carro, fato este que não temos atualmente (exceto com as novatas)
- Os pilotos tinham mais agressividade pq não eram necessariamente punidos por qualquer coisa, a qualquer hora.
- Para se ultrapassar alguém ( e isso não era fácil com carros tecnicamente parecidos) era preciso ou se ter agressividade maluca, ou ter um carro muito superior. E isso não é tão diferente de hoje, entretanto os pilotos de agora não são agressivos pq não podem.

Outra coisa: os mesmos circuitos que traziam emoções e ultrapassagens são os mesmos de agora. E esse é um fator fundamental. Na era dos circuitos tilkeanos, os circuitos são lentos, travados, com muitas áreas de escape. Ter uma margem de segurança para os pilotos que escaparem é importante...entretanto, se vc puder errar bastante e ainda assim ter condições de voltar, isso torna o desafio muito menor. Circuito pouco desafiantes favorecem uma menor quantidade de erros. E isso mina certos tipos de ultrapassagem.

Se nos circuitos que tivessem grandes áreas de escape de fato, com a possibilidade do piloto voltar, fosse permitido usar até esse espaço para se ganhar velocidade para ultrapassar, isso talvez pudesse ser um recurso interessante, mas na F1 estética e politicamente correta demais, isso nunca acontecerá. Alguém se lembra que Webber teve de ceder posição a Alonso na corrida passada de Cingapura?

Os que esquecem que a F1 tem sua história não devem se lembrar que em 1993 foi bastante discutido o porquê da falta de ultrapassagens na F1...curioso, não? E a alternativa encontrada foi: volta do reabastecimento, que não ocorria desde 1983. E aí, isto funcionou?

Chegamos na situação-problema do post: várias medidas vem e voltam, para buscar mais ultrapassagens. Uns celebram a volta de um recurso já utilizado e muito questionado, mas certos pontos não são questionados, mascarados por um discurso dito realista: não se podem culpar os circuitos. Ora, pq não? Um circuito com uma ou duas oportunidades de ultrapassagens, sem pontos que induzam ao erro?

As equipes se degladiam em torno do desenvolvimento do carro, criando brechas no regulamento e praticamente criam carros perfeitos aerodinamicamente, com freios ultraeficientes, com motores eficientes e com conjuntos eficientes. E que não permitem a aproximação de outros carros, sob pena de desgaste aerodinâmico...ora, manda isso tudo pro espaço, ou então não vai se ter ultrapassagens e emoção de jeito nenhum.

Um último ponto, mas não menos importante, e que dificilmente é levado em consideração: os pilotos hoje em dia passam por diversas categorias de acesso,mesmo os pagantes. Chegam na F1 praticamente maduros, eficientes. Os melhores comentaristas da F1 dizem o mesmo: ninguém chega na F1 para levar uma surra em termos de performance própria. Estão muito próximos em nível de pilotagem, e ainda existem aqueles que acreditam que um piloto é fora de série.

Para mim, caro leitor, uma coisa é muito clara: não dá para esperar mais emoção nas corridas se os elementos que compoem a essência da F1 não mudarem. Muda-se regulamento técnico, mas se mantém pilotos, dirigentes, politicagem e circuitos...


Espero poder voltar a postar com frequência aqui no Histórias e Velocidade, a partir de agora...abraços.

domingo, 4 de outubro de 2009

GP do Japão 2009.


Depois de um treino classificatório dos mais acidentados e confusos dos últimos tempos a corrida nesta madrugada foi bem chata. Apesar do bom traçado de Suzuka, a prova foi bem previsível e com poucas ultrapassagens.



Sebastian Vettel que largou na pole position dominou toda a prova, venceu de ponta a ponta. O alemão da Red Bull ganha uma sobrevida na luta pelo campeonato com sua terceira vitória em 2009. O segundo foi Jarno Trulli com a Toyota, que mostrou um bom desempenho desde os treinos livres. Na largada foi ultrapassado por Lewis Hamilton, mas conseguiu recuperar a posição em cima do inglês da McLaren na segunda parada nos boxes. Trulli que faz suas últimas corridas pela equipe japonesa e não tem lugar garantido para 2010.



Dessa vez Lewis Hamilton não conseguiu acompanhar o ritmo de Vettel, teve problemas com o KERS, finalizou em terceiro. Kimi Raikkonen se superou em Suzuka, conseguiu um ótimo quarto lugar, o que mantém a Ferrari em terceiro lugar no mundial de construtores. Espero que não esteja se despedindo da categoria, pois, fará falta!



Nico Rosberg voltou a pontuar, foi beneficiado pela entrada do Safety-Car no final da corrida, pois ainda não havia feito sua segunda parada, com isso finalizou em quinto. Nick Heidfeld mais uma vez na zona dos pontos vem apresentado boa performance nesse final de campeonato com sua equipe suicida BMW, visando um lugar em 2010, terminou em sexto no Japão.



Parece que para Rubens Barrichello já deu, só conseguiu abrir um ponto para Button e está apenas dois na frente de Vettel. Não apresentou um bom rendimento na corrida e de certa forma, ainda teve sorte com a entrada do Safety-Car, pois, Jenson Button vinha mais rápido e poderia ter conseguido a ultrapassagem sobre ele.



Jenson Button vem firme e forte para festejar o título no Brasil. Quando conseguiu se livrar de carros mais lentos, aliás, um dos poucos a ganhar posições na pista, andou forte e chegou a ameaçar a posição do seu companheiro no final, mas resolveu garantir o oitavo lugar de um impaciente Robert Kubica.



Outros destaques foram Adrian Sutil que tentou ultrapassar Heikki Kovalainen na chicane Casio Triangle. Kovalainen não afinou e houve o toque entre ambos, para desespero de Galvão Bueno. Por causa do toque ambos os pilotos perderam posição Jenson Button que estava logo atrás deles, limitado pelo ritmo corrida dos pilotos em questão.



Felizmente a direção de prova, não puniu nenhum dos pilotos envolvidos no toque. E Jaime Alguersuari que provocou a entrada do carro de segurança, depois da pancada no guard rail. Mark Webber que largou dos boxes, e praticamente não saia de lá durante a corrida, conseguiu marcar a melhor volta da corrida.



Resultado Final

1°. Sebastian Vettel (GER/Red Bull), 67 voltas em 1h28min20s443
2°. Jarno Trulli (ITA/Toyota), a 4s877
3°. Lewis Hamilton (ENG/McLaren), a 6s472
4°. Kimi Raikkonen (FIN/Ferrari), a 7s940
5°. Nico Rosberg (GER/Williams), a 8s793
6°. Nick Heidfeld (GER/BMW), a 9s509
7°. Rubens Barrichello (BRA/Brawn), a 10s641
8°. Jenson Button (ENG/Brawn), a 11s474
9°. Robert Kubica (POL/BMW), a 11s777
10°.
Fernando Alonso (SPA/Renault), a 13s065
11°. Heikki Kovalainen (FIN/McLaren), a 13s735
12°. Giancarlo Fisichella (ITA/Ferrari), a 14s596
13°. Adrian Sutil (GER/Force India), a 14s959
14°. Vitantonio Liuzzi (ITA/Force India), a 15s734
15°. Kazuki Nakajima (JPN/Williams), a 17s973
16°. Romain Grosjean (FRA/Renault), a 1 volta
17°. Mark Webber (AUS/Red Bull), a 2 voltas

Não concluíram:

18º. Jaime Alguersuari (SPA/Toro Rosso), 43 voltas/batida
19º. Sebastien Buemi (SWI/Toro Rosso), 10 voltas/abandono

Melhor Volta: Mark Webber (AUS/Red Bull) - 1.32.569. (50ª volta)

segunda-feira, 10 de agosto de 2009

Cadê as prometidas ultrapassagens?

Aproveitando o ensejo do post anterior do Ridson sobre o debate das melhores ultrapassagens da F-1. Volto ao tema, só quê, para comentar sobre as prometidas ultrapassagens para a categoria com a introdução das novas regras no pacote aerodinâmico de 2009. Bem, como todos podem notar a mudança não ajudou muito na melhora do show, em um post anterior sobre o GP da Inglaterra, aliás, minha estréia aqui no blog, eu já havia chamado a atenção sobre o tema: “... depois o que se viu foi aquela já tradicional fila indiana com exceção de alguns erros isolados como o de Felipe Massa que foi superado por Button. O pacote de medidas para aumentar as ultrapassagens nos carros de 2009 revela-se um fiasco quanto ao seu propósito. Troca de posições ainda sendo decidida nos boxes.” E por aí vai.

Somando-se, hoje saiu uma declaração do diretor da Ferrari Stefano Domenicali, indagando sobre as novas regras impostas pela FIA para esta temporada. Salientando principalmente para as alterações aerodinâmicas que não surtiram o efeito desejado, que era de proporcionar mais ultrapassagens. O contestado chefe de equipe da Ferrari também disse que espera que as lições de mais um fracasso na mudança das regras sejam levadas em conta para o próximo campeonato.

"Eu acho que o regulamento de 2009 foi alterado como forma de se ter mais ultrapassagens", disse Domenicali. "Mas se você olhar para as corridas, esse objetivo não foi realmente alcançado até agora. Então, isso significa que, quando há uma mudança de regulamento, antes de mudar, é muito importante ter a certeza de que aquilo que nós queremos atingir em termos de objetivos será realmente alcançado”, continuou o chefe do time italiano.

E prosseguiu na sua linha de raciocínio que o único ponto positivo de todas as mudanças foi à subida de outras equipes. "O objetivo alcançado foi o fato de termos um grid diferente, e outros carros estão mais competitivos. Isso é, com certeza, a única coisa que posso dizer sobre o novo regulamento", encerrou Stefano.

Timo Glock e Fernando Alonso já haviam declarado algo semelhante anteriormente. Talvez o maior problema não seja o carro em si, mas quem sabe os circuitos atuais que são padronizados em sua maioria por Herman Tilke que têm agravado o problema. Quem não se lembra da mutilação feita em Hockenheim ou as diversas intervenções feitas todos os anos em Spa-Francorchamps.

Quem acompanhou a corrida da Stock Car em Salvador sabe como é penoso assistir aquilo e provavelmente no GP da Europa em Valência como já foi comentado em outros blogs amigos, não devemos esperar muito por disputas de posições. Fomos iludidos mais uma vez pelas novas regras!

domingo, 9 de agosto de 2009

Debates inúteis? Ultrapassagem, estatísticas e números

Vendo as estatísticas dos números de ultrapassagem ocorridas ao longo desta temporada 2009, podemos inferir muita coisa. Ou nada. Ou apenas uma pálida sombra da realidade, iludidos e ao mesmo tempo entretidos no mundo da velocidade pelas disputas plásticas que cada vez mais se tornam disputas de plástico.
Esse debate está rolando no F1 Around. Quem puder ler os comentários, também é interessante. Deixo aqui meu enorme comentário lá para cá vcs apreciarem. Boas reflexões :
"Não sei se diria inútil termos as estatísticas, mas as condições em que os carros de corrida fazem ultrapassagem é, e sempre foi, em condições desiguais de alguma forma. Tem um clássico vídeo no Youtube (depois se quiserem procurem lá) sobre as top 10 ultrapassagens (de um só carro e as duplas) e vc verá que as condições plásticas da ultrapassagem negam muitas vezes que o carro à frente estava com menos aderência, mais combustível, menos rendimento no motor, motor menos potente, chassi diferente etc. As condições de ultrapassagem são assim, e dificilmente não o seriam. Salvos raras exceções em que os carros estão em iguais condições de tudo (ou bem próximas) e um ultrapassa o outro por pegar melhor tração ou frear e acelerar em melhores momentos.

Ou seja, a estatística ou deve contemplar tudo isso, ou não deve contemplar nada disso.Ultrapassar na chuva requer habilidade, assim como ultrapassar a um carro em condições inferiores.Considerem muitas outras varáveis e verão a grande qualidade de defender a posição quando se está em condições inferiores, aliado Às condições aerodinÂmicas ou a dificuldade natural de se ultrapassar em pistas estreitas. Se a F1 fosse um carro padrão, com tudo padrão e a única diferença fosse o piloto e os acertos de cada equipe, seria mais fácil de ver ultrapassagens? Seria mais fácil de visualizar melhores pilotos?

Lembro de ver muitos minimizando a ultrapassagem de Nelsinho em cima de Hamilton, e levantaram todas essas coisas que levantei acima. Desprezaram o aspecto plástico, o arrojo, a visualização do melhor momento,o uso correto dos nervos e do carro. P/ mim, ver ultrapassagens na F1 é entender que as condições dos dois carros em disputa são totalmente diferentes, e ao mesmo tempo apreciar a disputar, sem minimizar o que ela representa. Pq menosprezar é fácil, difícil é fazer, é saber se conseguiria.

Por fim, as estatísticas são apenas a sombra pálida dos resultados que elas parecem mostrar. Números nunca serão estatuto de verdade."