Esta semana não foi das mais paradas e nem das mais agradáveis para os amantes das velocidade. Como fiquei meio ausente do blog por estes dias, dou o ar de minha graça comentando alguns pontos que aparentemente ficaram sem as devidas amarras.
A "delação premiada de Nelsinho Piquet"
Essa foi a mais comentada, a mais revisitada e a mais polêmica da temporada inteira. Ainda não me arriscaria dizer da História da F1. Entretanto, por ainda meios confusos e indeléveis.
-Primeiro ponto: o silêncio ensurdecedor das partes envolvidas: os Piquet e os chefões da Renault.
Esse deixou todo mundo com os cabelos em pé, dando a entender que realmente há algo de muito verídico nas investigações, quando as partes interessadas estão orientadas a ficarem bem caladas.
- Segundo ponto: O encaminhamento das investigações, por agências de ex-agentes do FBI e free-lancers. P/ quem gosta de teorias da conspiração esse ponto foi um prato gorduroso e suculento.
Significa que Mosley e companhia estão muito interessados em encontrar cabeças a decapitar e fogueiras para preparar, e a de Briatore é desejada há muito tempo. E não tenham dúvidas: essa investigação não vai parar nem mesmo depois do julgamento da Renault próximo dia 21.
- Terceiro ponto: ontem sai uma reportagem contundente da Autosport, conceituada revista inglesa com filiais em tantos lugares e tantas redes de informação dentro do paddock que todos dão ouvidos (demais até, em minha sincera descrença no poder imensurável que dão à imprensa como paladina da verdade- e da mentira), que averigua entre outros pontos:
O envolvimento dos Piquet: Piquet-pai entrega a bomba na sede da FIA, tentando assim livrar o filho da rota de colisão, como uma delação premiada. Assim, ele ao menos assegura que o filho poderá correr outra vez, não tomará uma pesada multa, e nem deixe escapar o desafeto Briatore.
O não: Briatore nega tudo e afirma apenas que foi vítima de extorsão (p/ quem não sabe é chantagear alguém em troca de um ganho financeiro de qualquer espécie), o que já é motivo para prisão. Extorsão é um crime dos mais perigosos.
O sim, pero no mucho: Pat Simonds, nº 2 da equipe Renault, teria dito à revista que teria havido uma reunião, que as condições de Alonso e Piquet na corrida teriam sido bem analisadas, que sabiam que um safety-car em certa hora seria fundamental para Alonso lutar pela vitória, já que o asturiano viria com uma estratégia agressiva (leve) demais para quem larga do 15º lugar em uma pista de rua (difícil de ultrapassar); e então teria sido Piquet o autor da idéia, mas que nada daquilo fora adiante comentado e nada decidido). Em suma, a reunião aconteceu mas nada teria sido decidido.
Se foi Piquet ou não o mentor da besteira (coisa que duvido muitíssimo, já que seria uma burrada ainda maior dele), os indícios apontam fortemente para uma verdade: a conspiração aconteceu. E os chefes da Renault não estão com os discursos afiados, o que indica que terão que forjar um para se defenderem dia 21...mas, obviamente, estão jogando toda a culpa nos Piquet.
- As consequencias para isso não são nada boas. Primeiro, porque Piquet só corre na F1 agora se o pai criar uma equipe, ou se ele se sujeitar a ser um piloto de testes ou titular em uma equipe miúda. A Campos pode sim ter oferecido a ele um salário baseado nos pontos, como veicularam. Ora, o cara dirigiu recentemente e tem alguma experiência com o novo carro da F1, e as equipes precisam disso, e mais, precisam de um cara que não tenha condições de pedir muito. Piquet se encaixa totalmente nisso, assim como Bourdais. Ou então, que corra na Indy. Um novo recomeço pode ser o melhor para o filho mais talentoso de Nelson Piquet.
Ainda não acho descartada a opção de Piquet correr depois disso porque no fundo no fundo, as equipes precisam mais de pilotos do que se imagina, e os negócios pesam mais do que as relações morais. O difícil é Piquet ainda conseguir bons patrocínios...
Outra consequencia disso muito grave é ter uma montadora com equipe, fornecedora de pneus e tudo o mais, como a Renault, que já tem na política de seus CEOs um desprezo total à possibilidade de negócios na categoria. Pode ser o argumento que faltava para a Renault voltar de vez aos porões, como foi com a Honda.
Uma última pergunta, e talvez a que mais me intriga: Por quê os Piquet se arriscaram a denunciar? Pq era o certo? As coisas na F1 dificilmente funcionam pelo argumento da justiça, e por isso mesmo era arriscado, eu diria suicídio, admitir publicamente que um dos Piquet foi capaz de fazer isso. Isso pq o mundo da F1 é muito hipócrita e esquece que em sua história diversas batidas propositais mudaram os rumos dos campeonatos, mudaram o rumo das vitórias, mudaram o rumo de diversas carreiras. A História infelizmente ainda é construída pela memória dos vencedores, e não a dos vencidos, dos sem-voz. Ao mesmo tempo, se escreve História pela pura parcialidade, dando a valorizar feitos de um lado versus outros que valorizam feitos dos outros. Não há muita criticidade nos olhares dos fãs de automobilismo pq não há estímulo à criticidade no olhar de todos nós em nossas educações.
Piquet-pai foi lá por outra razão, creio eu e minha mãe, que ontem comigo debatendo sobre isso ela disse: Piquet- pai foi lá pq o nome em jogo era o dele, acima de tudo. A trajetória que ele construiu na F1 e o patrimônio que construiu foram jogados no meio da rua, e mais do que ninguém ele é que teve de defender. Lembrar que ano passado ele não ia às corridas, só acompanhava por vezes sua equipe na GP2 muito pq o próprio filho queria por conta própria construir sua carreira, e a figura do patriarca não era das mais carismáticas, embora fosse respeitada. Piquet-filho de fato tentou construir seu próprio nome e patrimônio para além do peso do sobrenome. E em uma manobra arriscada jogou tudo a perder acatando uma ordem da equipe, se tornando cúmplice e co-autor. E pagou o preço. E teve que ver seu pai novamente entrar em cena para defender a honra do nome. No fim das contas Piquet-filho era o lado mais frágil do jogo e seu pai sabe que teve parcela na criação.
- A grande preocupação é sentir que Briatore ainda terá vez para os negócios. Por conta, e muito, de uma categoria como a GP2. Essa categoria vai crescer demais, vai esmagar a F2 e ainda vai ser palco de grandes disputas e alto nível técnico. E ela é de Briatore. =/
A possível compra da Brawn pela Mercedes
Essa é das mais preocupantes para Rubens Barrichello. Ou Jenson Button, talvez. O certo, pelo menos, é que a Mercedes vai investir mais no seu 2º cavalo de corrida, notadamente a Brawn. E isso assegura à escuderia Brawn sobrevida e qualidade. E assegura à Mercedes mais alicerce em sua não tão difícil tarefa de dominar a F1 para a próxima década, depois de ver a Ferrari dominar esta.
Contudo, algo me deixa com pé atrás quando todos dizem com todas as letras que a MacLaren vai se desvincular da Mercedes e vice-versa. Mesmo com o novo protótio de Ron Dennis tendo motor próprio ( e por que não? Vai concorrer com os Mercedes no mercado, ora bolas) e o caso da mentira que iniciou a temporada polêmica, acho difícil eles romperem assim de vez uma parceria afiada como essa.
A Mercedes, claro, poderia muito bem comprar em 2011 a Brawn (que me parece não ter sobrevida na F1, mas gostaria de vê-los pelo menos na GP2 -que me parece vai crescer e muito, mesmo tendo Briatore no meio). Rosberg vai ser o grande alemão na nova empreitada da Mercedona e vai pra onde ela quiser. Para a Brawn, no entanto, e até mesmo para a Mercedes, o segredo para um sucesso seria, se no caso de Nico ir para a Brawn, ter Nico e ter um piloto como Barrichello motivado, experiente e fundamental no ajuste dos carros. O carro da Brawn teve rendimentos bons de fato porque além de ser bem nascido, de ter o motor Mercedes, tinha Barrica lá. Button é bom piloto, é habilidoso até demais e muito rápido. Mas é muito inconstante e isso ninguém quer na F1. Ele é um avesso paralelo ao compatriota Mansell, que também era muito habilidoso e rápido, mas "motivado para além do equilíbrio necessário"...
Chuva ou sol em Monza entre sábado e domingo do GP da Itália?
Como nem a previsão do tempo é mais ciência séria, as previsões mudaram loucamente nos últimos dias. Chuva, sol, chuva e sol, clima ameno mas sem chuva, etc...
-Se tiver chuva, esperem uma nova vida para os Red Bull, e uma forçada de barra dentro da Brawn em favor de Button. Isso se Button ainda se mantiver pelo menos competitivo. Se o britânico não pontuar nada de novo...aí a batata lá vai assar no ...dele. As chances de Barrichello dependem dele, e de que as RBRs não sejam tão boas lá como deveriam ser.
- Se tiver sol, e se Barrichello estiver bem, preparem as cornetas. Rubens é forte lá, e Button não. Só que, se Button reagir e não for pelo menos, tão mal, Rubens terá problemas.
- Se não chover, mas o clima não estiver fervendo, loucamente é o melhor cenário para Barrichello. Ele aquece melhor os pneus que Button, e é nessas condições que o britânico se dá tão mal.
O que me preocupa, na ainda torcida por Barrichello, é que as novas zebras de lá favorecem a pilotos como Button. Não favorecem nem a Vettel, nem a Webber. Pilotos como eles e Barrichello atacam mais as zebras e isso não vai ser fácil com as zebras mais altas.
As incógnitas no mercado de pilotos
Essa já endoida a gente há muito tempo e não vai endoidar mais do que o usual. Daqui a instantes, a gente vai ver muitas notícias sem pé nem cabeça. No entanto, 4 pilotos de dentro da categoria e 3 novatos darão o tom das negociações.
- Alonso, obviamente. Para onde for vai ser bemvindo, mas precisa se livrar o quanto antes do problema da Renault senão arrisca ficar de fora. Não acho que agora para ele seja o momento de exigir demais, senão fica sem a Ferrari. Na briga de egos, Montezemolo late mais alto que ele e ele ainda não é Schumacher ou Senna.
- Rosberg. Tá fazendo uma baita temporada na F1 e finalmente pegou o tranco do negócio. Se mantiver o ritmo ainda vai ser campeão que nem o pai foi. E merecendo. Brawn Mercedes, MacLaren Mercedes estão na sua rota de mira.
- Raikkonen. Que deu provas de que quer, pode e terá lugar na categoria. Não mais onde e como quiser, mas negar a probabilidade dele ir para a Brawn é loucura. Ficar na Ferrari é ainda uma opção, mas ir para a Toyota pode ser um novo desafio na vida do cara. E acho que é isso que ele precisa para mostrar que é o cara. A Maclaren pode ser opção para 2011.
- Rubens Barrichello. Porque não? Se parar, o que acho difícil, auxilia em alguma equipe. Se ficar na Brawn próximo ano, as coisas podem sair melhor que a encomenda. Não acho que ele vá para a Williams, mas a Manor-Virgin, a USF1 e a Toyota poderiam deseja-lo.
Os de fora:
- Vitaly Petrov- Esse tem dinheiro demais para ser negado. Force India ou Campos o terão.
- Bruno Senna- Esse tem nome demais para ser negado. Idem, ainda somando a Virgin.
- Nico Hulkenberg- Esse vai ganhar a GP2, mas não se surpreendam se ele não for para a Williams, e sim para algo maior. Só se a Williams tiver equipado os motores Mercedes. Aí Williams é certeza.